Whow! Festival da Inovação: o que aconteceu no terceiro dia

As utilizações do blockchain, os mercados em rede e análise de dados: veja o que foi discutido no terceiro dia de evento.

26/07/2018 às 15:57

A tarde do terceiro e último dia do Whow! Festival da Inovação começou agitada. O primeiro debate envolveu um tema complexo: as várias possibilidades de uso do blockchain. Depois a discussão foi sobre como ganhar dinheiro com os mercados de redes. A seguir, descubra tudo que rolou.

As mil e uma aplicações do blockchain

Desde o ano passado, graças ao sucesso e valorização das criptomoedas, o blockchain ganhou a boca do povo. Por conta disso, é comum às pessoas acreditarem que essa tecnologia só serve para bitcoin, não é? Mas, não é bem assim. É verdade que ele começou a ser usado com ativos financeiros. Porém, existe uma infinidade de possibilidades para seu uso.

Entre as inúmeras possibilidades de uso, atualmente existem projetos em teste para o uso do blockchain na área da saúde, no registro de documentos de identidade e de propriedades intelectuais ou no uso em cadeia de suprimentos de empresas. “O blockchain tem potencial para diversas aplicações até porque traz muitos benefícios , como menor custo e sistema antifraude”, explica Gustavo Chamati, CEO do Mercado Bitcoin.

Apesar disso, Natalia Garcia, diretora jurídica da Foxbit, alertou que o blockchain é uma tecnologia nova, ou seja, ainda não está pronta. “A única aplicação efetiva que existe é a do bitcoin. As demais ainda têm muito que desenvolver para chegar a experiência do consumidor. Por isso, toda essa potencialidade ainda vai demorar para acontecer”, ressalta.

Palestra sobre blockchain

Especialistas em blockchain falaram sobre as possibilidade de uso desta nova tecnologia.

Governos mais transparentes

De acordo com os palestrantes, o blockchain tem o poder de tornar os governos mais transparentes. Para isso, basta que a contabilidade pública seja disponibilizada na ferramenta tecnológica como registro público. Assim, todos poderão ver o dinheiro que entra e sai, em tempo real. Deste modo, fica muito mais fácil controlar os gastos e acabar com a corrupção.

Natalia vai além e revela que no futuro não precisaremos de representantes. Pois, a partir do blockchain, poderemos nos representar. “É claro que estamos a anos luz de extirpar nosso modelo político, mas isso é outra possibilidade”, destaca.

Como exemplo, Gustavo Paro, executivo de Contas Estratégica e entusiasta de Blockchain da Microsoft, citou como funcionaria uma aprovação de orçamento de uma prefeitura, sem uma câmara de vereadores. “Com o blockchain, cada cidadão com uma wallet poderia votar na aprovação ou não da liberação de um determinado orçamento”, explica.

Whow: Revolução na identificação

Imagina você ser contratado para trabalhar em uma empresa e ao invés de mandar aquela pilha cópias de documentos, enviar apenas um link ou um QR code? Bem, conforme os palestrantes isso será possível graças ao blockchain. Inclusive, já existe alguns projetos de governos e empresas focados no desenvolvimento de identidades totalmente digitais.

“A Microsoft tem um projeto de identidades para refugiados. Mas outros governos também trabalham nisso. Hoje, no mundo, temos quase 1 bilhão de pessoas sem identidades. E a tecnologia pode acabar com isso”, afirma Paro.

Para Carl Amorin, presidente da Blockchain Research Institute, o mais bacana de tudo é que o usuário é quem decidirá quais documentos cada instituição terá acesso. “Vamos ter mais poder com essa transparência. Além disso, a identidade digital é o ponto de partida para se navegar em todos os outros projetos do blockchain”, revela. Países como Estônia e Emirados Árabes (Dubai) já trabalham em projetos deste tipo.

Ecossistema de Inovação e Mercados em rede: isso dá dinheiro?

palestra mercado de rede

Palestrantes falaram sobre o valor do mercado de rede.

Para responder essa pergunta, o evento Whow convidou três empresas com negócios totalmente diferentes: Bradesco, Fox e a In loco, empresa especializa em mídia móbile de geolocalização. Ou seja, que usa a sua localização, via smarphone, para disparar anúncios de marcas parceiras.

Desta forma, cada empresa trouxe para a discussão seu ponto de vista e como têm trabalhado em rede e em ecossistemas de inovação. Algumas, como a In loco, nasceram já dentro desse contexto. Já o Bradesco e a Fox tiveram que aprender a lhe dar com essa inovação.

O sistema de rede da Fox, por exemplo, é composto pelo mercado independente. Desta forma, produtores, roteiristas, diretores e atores de fora da casa ajudam o canal a chegar ao público final. “Ninguém faz TV, séries ou cinema sozinho”, enfatiza Zico Goes, VP de conteúdo e desenvolvimento da Fox.

Já o Bradesco, criou parcerias com startups. A ideia é que tais empresas ajudem o banco a se desenvolver tecnologicamente. Em contrapartida, o Bradesco as ajuda a se desenvolverem. “Em quatro anos experimentamos 30 startups e dessas contratamos nove”, revela Francisco Venâncio, head Departamental do Banco Bradesco.

Afinal, dá dinheiro?

No médio e longo prazo sim, mas conforme Eduardo Pires, International Strategic Partnesships da In loco, o ganho vai além. “Ao trabalhar em ecossistema e em mercado de rede, geramos mais empregos e atraímos mão de obra qualificada”, destaca.

Porém, para trabalhar nesse tipo de sistema, Pires alerta que é preciso ter pensamento colaborativo e não ter medo de expor os problemas da empresa. “A inovação não pode ter fronteiras. Ela é um processo aberto e colaborativo. Não é ali que está a competição”, finaliza.

Big Data, Analytics, BI, Data Lake. A pergunta é: você está fazendo direito?

Palestra sobre Big Data

Palestrantes falaram sobre como os dados têm mudado a forma como as empresas conversam com os clientes.

Estamos cada vez mais digitalizados e isso influência a forma como as marcas falam conosco. Um exemplo disso são os atendentes digitais (URA) que conversam com os usuários. Várias empresas já usa esse modelo. Como a Lu, do Magazine Luiza, por exemplo.

O principal desafio nisso, é saber qual o canal é melhor para falar com cada usuário. Tudo depende do perfil de cada um. Para isso, as empresas usam e analisam os dados no Big Data, Analytics, BI, Data Lake, entre outras tantas ferramentas tecnológicas.

Para decidir que tipo de matéria ou conteúdo criar, Carolina Serpejante, editora-chefe do portal Minha Vida, usa dois métodos. Primeiro, perguntando para o leitor diretamente, por meio de pesquisas. E em seguida entendendo a audiência, o comportamento, por meio de tagueamento.

Foi dessa forma que o portal descobriu, por exemplo, que o dia que causa mais ansiedade nos leitores é a quinta-feira. “Agora mandamos todas as quintas um post sobre como combater ansiedade aos nossos leitores”, revela Carolina.

A ameaça da privacidade de dados

Após a aprovação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, no Brasil, e da GDPR (General Data Protection Regulation), pela União Europeia, as empresas terão de ser mais transparentes sobre como usam os nossos dados pessoais. E isso deve mudar a forma como as marcas realizam marketing ativo e vendas.

“Agora quando formos a um banco e passarmos nossos dados, eles terão que nos dizer para que exatamente eles vão usar essas informações”, explica André Gentil, diretor de Tecnologia da Flex Relacionamentos Inteligentes.

No entanto, Gentil alerta que os dados são importantes para as marcas criarem atendimentos mais personalizados. “É graças a esses dados que as empresas descobrem a melhor forma de falar com cada um. Porque eles armazenam comportamento e isso nos faz atender melhor e mais rápido”, avisa.

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