Quando jogar videogame vira vício ou doença?

Vício em videogame é doença, de acordo com a Organização Mundial da Saúde. Descubra quando o entretenimento deixa de ser saudável e como tratar o distúrbio.

29/04/2019 às 9:00

Videogame em excesso pode realmente se tornar uma doença, você sabia? Isso porque, na última atualização da lista oficial da Organização Mundial de Saúde (OMS), o vício em games foi classificado como doença mental. Portanto, desde junho de 2018, consta na 11ª Classificação Internacional de Doenças (CID) o distúrbio de games, ou gaming disorder. Com isso, o problema passa a receber mais atenção, ser objeto de novos estudos médicos e busca de tratamentos.

Essa classificação da OMS, apesar de controversa, também é apontada como necessária. Justamente porque incentiva o estudo mais profundo do tema “vício em videogame” por médicos e especialistas. Entretanto, muitos jogadores consideraram a decisão um tanto ofensiva, como se sua diversão estivesse servindo como bode expiatório para outros problemas sociais. Mas o fato de a OMS considerar oficialmente o vício em videogame um transtorno mental não significa que todos que jogam muitas horas têm ou terão o distúrbio.

Vício em videogame pode trazer prejuízos sociais e à saúde.

Videogame: apenas entre 1% e 3% dos jogadores correm risco de desenvolver uma compulsão.

Pelo contrário: de acordo com a organização, o hábito de jogar videogame só é um risco para até 3% dos jogadores. Assim, não é preciso ficar imediatamente alarmado. Afinal, atravessar uma noite ou outra para finalmente terminar um jogo não significa que a pessoa esteja doente. Continue conosco para entender melhor essa questão: afinal, quando é que jogar videogame deixa de ser saudável? Como identificar e tratar o problema?

Videogame e a questão da adição

De acordo com os dados do Statista, os 2,3 bilhões de gamers ativos no mundo em 2018 serão mais de 2,7 bilhões em 2021. Ou seja, agora mesmo, enquanto você lê este texto, bilhões de pessoas em todo o planeta estão jogando videogame! Será que todas elas vão desenvolver um transtorno? É claro que não: a imensa maioria vai apenas se divertir.

Quando jogar videogame vira vício ou doença?

Nem todas as pessoas que jogam bastante serão viciadas.

Entretanto, uma parte dessas pessoas tem o potencial de se tornar um adicto, isto é, um viciado. E é aí que a diversão se transforma em dificuldade. Assim, o que deveria trazer alegria e lazer — e até dinheiro, no caso de jogadores profissionais — só traz prejuízos. Isso porque algumas pessoas realmente lutam contra o vício de jogar — o que, agora, foi reconhecido como condição médica legítima. Esse grupo de pessoas, está claro, precisa de cuidados.

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Algumas pessoas insistem em ver a adição não como uma condição médica, mas como uma espécie de falha moral. Mesmo que se diga, há décadas, que isso não é verdade. Ainda há equívocos sobre o vício requerer algum tipo de dependência física que causa a abstinência, ou considerar que a dependência física é uma prova conclusiva do vício. Os especialistas dizem que isso simplesmente não corresponde à verdade.

Para compreender a adição, é preciso entender que há aspectos no videogame que ajudam a torná-lo “viciante”. Como, por exemplo, o fácil acesso a eles. Ou, ainda, as características únicas de imersão que os jogos oferecem. Assim, com a classificação do transtorno, médicos terão condições de melhor diagnosticar os pacientes com essa condição, pois o vício será estudado. E os planos de saúde terão que disponibilizar atendimento para o que é, agora, reconhecido como uma doença.

Jogar videogame: quando é demais?

Quando jogar videogame vira vício ou doença?

Como saber quando jogar se torna um problema real?

Um gamer que aproveita todas as suas horas livres para jogar videogame pode até ser chamado de “fanático”. Mas só porque ele dedica todos os seus momentos de lazer para os games, não podemos considerá-lo um viciado. E essa é, inclusive, a questão central: afinal, quando é que podemos dizer que alguém está realmente viciado no videogame? Como identificar, com o mínimo possível de dúvida, quando a atividade está efetivamente se tornando um problema?

Conforme Robert West, editor do jornal científico Addiction, a chave para entender a adição é quando uma pessoa faz algo compulsivamente, mesmo quando isso leva a resultados negativos. Ou seja, jogar videogame se transforma em um transtorno quando a pessoa joga compulsivamente, sem se importar com as consequências negativas. Um exemplo? Um estudante que vira as noites jogando e fica sem dormir. Também fica sem estudar. E repete o comportamento, compulsivamente, mesmo se prejudicando.

Outro exemplo: o engenheiro que vara a noite e os finais de semana jogando videogame. Quando percebe, está com a vida prejudicada, pois não consegue mais trabalhar. Como não dorme, constantemente tem sono. A saúde vai ficando cada vez mais prejudicada e a alimentação também sofre. Já não quer tomar banho para não perder tempo que poderia estar jogando. Parece extremo? Mas são apenas dois exemplos de quando jogar se torna um problema sério. Isto é, quando o engajamento no jogo é realmente excessivo.

Quando jogar videogame vira vício ou doença?

Quem é viciado em videogames deixa de fazer tarefas repetidamente, mesmo que isso o prejudique.

De qualquer maneira, fica claro que este não é um diagnóstico simples. Os especialistas, inclusive, recomendam forte cautela: não se deve confundir alto envolvimento com envolvimento problemático. A pessoa está deixando de dormir? Está falhando em suas responsabilidades, como escola ou trabalho? Está negligenciando a família e os amigos? A adição aparece quando a pessoa se dedica compulsivamente a algo (videogame, drogas, assistir à TV, etc.) apesar dos prejuízos que isso lhe causa.

Videogame: tratando o vício

A pesquisa e as evidências médicas sobre o transtorno em videogame ainda têm muito o que se desenvolver. Mesmo assim, especialistas apontam que há mais e mais pessoas buscando tratamento para o vício em jogo. E como se dá esse tratamento? Por enquanto, abordagens com funcionamento comprovado em outras áreas de saúde mental são as mais utilizadas, principalmente entrevistas motivacionais e terapia cognitivo-comportamental.

Quando jogar videogame vira vício ou doença?

É sempre bom ficar atento para saber quando o uso do videogame é lazer ou vício.

Por outro lado, os videogames também têm outras utilidades, agora. São utilizados, por exemplo, na educação. E até mesmo como terapia. O Laboratório de Saúde Mental e Emocional da Universidade de Radboud, na Holanda, estuda o uso terapêutico de videogames. A pesquisa inicial aborda como os jogos — principalmente a partir da realidade virtual — podem ser utilizados para, justamente, ajudar no tratamento de diversos transtornos da saúde mental.

Agora você entendeu que jogar videogame demais nem sempre é um problema — a menos que seja um vício, isto é, que a pessoa não se importe em prejudicar sua vida. Gostou do assunto? Então, continue conosco! Saiba mais sobre o uso excessivo da internet e entenda também o que é o vício em internet. E siga acompanhando o Blog Vivo Guru, pois temos sempre informação relevante e de qualidade para você.

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