Tudo sobre o movimento Queer e feminino nos games

Saiba como desenvolvedores estão abordando questão da igualdade de gêneros e da orientação sexual no universo dos videogames

23/05/2018 às 17:00

Jogos de luta, corrida, universos alternativos ou simples desafios envolvendo lógica e pensamento rápido… Há espaço para todos os gostos no mundo dos games, mostrando que o interesse dos jogadores é bastante diversificado. Isso porque, independentemente de sexo ou orientação sexual, jogos de videogame são a opção favorita de entretenimento para muitos, em um mercado que só cresce.

No entanto, mesmo assim, o personagem que mais vemos representado nos jogos é um só: o homem heterossexual. Onde estão as mulheres, os gays e o público queer? O que fica subentendido é que as grandes desenvolvedoras parecem não atentar para a pluralidade de seu público ou pela demanda crescente de personagens que reflitam a representatividade que as minorias buscam encontrar nos produtos que consomem.

Mas esse cenário vem mudando. Com a distribuição digital e o fortalecimento da cena independente de games, alguns desenvolvedores estão trazendo as questões de diversidade para os jogos, o que amplia a discussão. Além disso, as mulheres, grande público do videogame, podem see posicionar melhor na luta pelo seu reconhecimento na cena.

Essa movimentação demonstra que há espaço para todos. E que todos podem conquistar esse espaço. Falaremos sobre isso a seguir.

Como surgiu o movimento Queer nos games

Movimento Queer está inserido em diversos games. Foto: reprodução

 

O termo “Queer”, que em tradução literal do inglês significa “estranho”, é usado para pessoas que não se encaixem nas normas de gênero e orientação sexual, como trans e homossexuais. A chamada “Cena Queer dos Games” é um movimento que ficou mais notório a partir de 2010 em fóruns e plataformas independentes, quando alguns desenvolvedores começaram a divulgar jogos cuja temática tinha essa vivência como foco. Usando jogabilidade e design, os games queer transmitem a sensação do que é ser uma pessoa LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e queers) no mundo em que vivemos.

De lá para cá, esse movimento abriu o leque de possibilidade para que outras minorias se sentissem empoderadas, além de ampliar o debate sobre representatividade nos games.

A luta do público LGBTQ pela representatividade nos games

Personagens gays ainda são raros nos games, mas o movimento é de avanço

Nesse universo dominado teoricamente por homens heterossexuais, onde está a representatividade dos jogadores gays?

Infelizmente, esse é um público costumeiramente retratado de maneira caricata e de pouco destaque nos games. De forma geral, homens homossexuais são representados como extravagantes, efeminados ou fracos. Quer um exemplo? Pense no lutador Dan Hibiki, de Street Fighter Alpha, visto sempre como fofoqueiro, exagerado e alívio cômico por conta dos gritinhos que solta quando luta.

O jogo imita a vida, certo? Mais ou menos. Na verdade, essa representação distorcida acontece por conta de uma série de fatores, entre eles a falta de conhecimento, ou sensibilidade, dos desenvolvedores para representar um gênero que não é o deles. Sem falar no preconceito latente, que ainda é maior barreira. Ainda vivemos em uma sociedade machista e homofóbica, cuja ignorância se reflete em tudo o que produz. Não seria diferente com os jogos de vídeogame.

Mas isso tende a mudar. Uma singela representação tem se mostrado em personagens como a transgênero Birdo “Birdetta”do Super Mario Bros. 2, o bissexual Frye de Assassin’s Creed Syndicate e a lésbica Ellie de The Last of Us, para citar alguns.

Para além da caracterização estereotipada, os gamers LGBTQ ainda precisam lidar com a toxidade no ambiente dos jogos de videogame. Em jogos online, ainda impera o preconceito explicito, que se manifesta em xingamentos, piadas ofensivas e até mesmo assédio moral.

Algo que, infelizmente, não é “privilégio” apenas desse nicho gamer.

E as mulheres nesse cenário?

Mulheres conquistam espaço no universo dos games

Ser mulher em um ambiente gamer é complicado não só pela falta de representação, mas pela agressividade do cenário online. Usar nickname neutro, que não determine o sexo, se fazer de surda diante de comentário maldosos e desrespeitosos e ter a obrigação de ser a melhor em tudo apenas para se mostrar merecedora de estar ali. Essas são algumas das exigências que a mulher precisa cumprir para lidar com o machismo e ser respeitada nos jogos online.

O curioso é que, na ponta do lápis, elas é que são as donas do jogo. Segundo a Pesquisa Game Brasil 2017, divulgada pela agência de tecnologia interativa Sioux, as mulheres são maioria nesse mercado: cerca de 57% dos jogadores no país são do público feminino. A participação feminina nos jogos, segundo a mesma agência, se consolidou como dominante em 2016, com o incrível número de 52,6% de mulheres gamers.

E ainda assim, a marginalização e o preconceito são comuns para as mulheres no mundo dos games, principalmente nos jogos online. Isso atua de modo castrador para o público feminino: diante de tanta hostilidade, a maioria se retrai e deixa de jogar. E assim, em consequência, a agressividade contra as poucas que permanecem só se intensifica.

A esperança é a conscientização

A saída para “passar de fase” e sair desse cenário de preconceito e intolerância para com LGBTQ’s e mulheres no mudo do videogame é ampliar o debate e incluir ainda mais a temática nos jogos. Isso engloba não só mudanças na narrativa, que tornem os jogos mais diversificados, mas também o incentivo de discussões sobre representatividade no ambiente dos games.

O que se procura não é criar “jogos de gays” ou “jogos de mulher”, ou simplesmente introduzir tais personagens nos games. A ideia não é segregar, e sim somar. Por isso, é importante que essa inclusão seja feita atingindo as demandas desses nichos através de representações mais realistas, que fujam do estereotipado ou caricato. Em suma, representações que evoquem respeito, assim como os personagens homens hétero são representados.

É preciso compreender que não há jogos para homens, ou jogos para mulheres, ou jogo para gays. Jogos não têm gênero, portanto podem e devem ser consumidos por jogadores de quaisquer sexos, sem preconceito ou discriminação.

Por isso, o caminho para um ambiente com mais igualdade e respeito é a conscientização de que os jogos de videogame foram feitos para todos. A mentalidade não só dos desenvolvedores, mas também dos jogadores, precisa mudar. E isso vai começar com a conscientização.

O que você acha do assunto? Qual a sua parcela nesse cenário? Não deixe de ler nossa matéria sobre mulheres na TI, onde mais uma vez falamos sobre igualdade de gênero.

Gostou da notícia?

Veja mais sobre
Games
campo obrigátório

Cadastro efetuado com sucesso!

Em breve você receberá o melhor da tecnologia no seu email