Tecnologia no futebol: será que foi pênalti?

Rússia confirma VAR para o campeonato mundial, e a Alemanha investe em big data para saber tudo sobre os jogadores

13/02/2018 às 9:08

Erros de arbitragem parecem ser parte integrante do futebol. Basta lembrar da “mano de Dios”, gol com a mão que Diego Maradona fez no torneio mundial de 1986. E valeu. Ou da final de 1966, em que a bola simplesmente não entrou, mas o título foi para a Inglaterra sobre a Alemanha. Talvez, o desfecho dessas histórias ganhassem outro final se a tecnologia no futebol estivesse presente.

De qualquer forma, a grande verdade é: não existe jogo de futebol sem erro de arbitragem. E talvez nunca vá existir.

Atenção para a linha de gol

Mas depois de décadas,  após ouvir tantas críticas, a FIFA passou a investir em melhorias com uso de novas ferramentas. O primeiro grande exemplo veio com a tecnologia da linha de gol. O sistema de câmeras avisa o juiz quando uma bola passa da tal linha. Foi lançado em 2012, utilizado na competição realizada no Brasil, em 2014, funcionou muito bem (validou um gol da França contra Honduras). Infelizmente, praticamente sumiu, por ser uma tecnologia cara e que resolvia apenas um dilema – se a bola entrou ou não.

Torneio da Rússia terá novidade

Desde então, o que vem crescendo é um sistema mais amplo de apoio ao árbitro para evitar possíveis erros. Bandeirinhas e quartos árbitros agora se comunicam facilmente com o árbitro principal por sistemas de rádio. E o maior avanço é o chamado VAR, Video Assistant Referee, ou Árbitro Assistente de Vídeo. Esse cidadão fica numa cabine assistindo ao jogo por monitores e com acesso a replays por múltiplos ângulos. Tanto o árbitro principal pode pedir seu auxílio em lances duvidosos como ele mesmo pode tomar a iniciativa.

Por diminuir muito os erros graves, o VAR será uma das atrações na Rússia. Entretanto, só poderá ser usado em caso de gol, pênalti, cartão vermelho ou erro de identificação. Ou seja, alguma controvérsia sempre vai existir, até para manter vivas as discussões apaixonadas nos bares. E por que não seria justo ou humano submeter o árbitro a um escrutínio total de todas suas decisões.

Ah, importante: a CBF ainda não vai usar o VAR no Brasil, pois alega ser muito caro.

Drones sobre os campos e big data

A tecnologia invade também outras áreas do futebol. Tem time usando drone para filmar treino de adversário. Treinadores e preparadores físicos utilizam muitos vídeos e bancos de dados nas suas orientações. Com a comunidade da informação gigante que é nosso planeta hoje, todo treinador pode saber muita coisa sobre seus atletas e seus adversários.

Na Alemanha, a DFB (a CBF deles) está com um investimento de 110 milhões de euros (cerca de R$ 470 milhões) para fazer o “Vale do Silício do Futebol”. Os atuais campeões querem manter a supremacia com muita tecnologia, por meio de uma parceria com a empresa de software SAP.

Trata-se de um supercentro de treinamento, no qual os movimentos de um atleta serão analisados: a qualidade de seus passes, de seus chutes e até sua vontade de vencer. Tudo isso gravado com o uso de coletes especiais e uniformes com chips e GPS. Com essa big data, será possível rastrear todos os chutes que um jogador deu em sua carreira, além de todas as suas informações físicas e médicas. O mesmo app mostra o ponto de vista do goleiro, de um cobrador de faltas e até mesmo como um jogador tende a reagir em determinada situação.

No dia 17 de junho deste ano, a Alemanha estreia na Rússia contra o México, e aí poderemos ver o quanto eles serão beneficiados por essa tecnologia. Mas de uma coisa já podemos ter certeza: isso é apenas o início de uma revolução tecnológica no futebol, muito mais vem por aí.

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