Tecnologia chinesa identifica pessoas pelo jeito de andar

Tanto em Beijing quanto em Xangai, nova tecnologia chinesa de identificação já está em uso pelas forças policiais.

01/04/2019 às 9:00

Você já deve estar acostumado com reconhecimento facial. Talvez até desbloqueie seu celular usando essa ferramenta de Inteligência Artificial. E, certamente, seu rosto é verificado por reconhecimento facial em câmeras nos aeroportos e bancos. Entretanto, esse sistema exige cooperação: a pessoa precisa olhar para a câmera para ser identificada. Então, não pode haver algo mais eficaz, que identifique alguém em qualquer lugar? Pois já existe: está em uso uma tecnologia chinesa de biometria que identifica a pessoa pelo seu modo de andar.

Essa tecnologia chinesa foi desenvolvida por uma startup chamada Watrix. E parece que saiu de filmes de ficção científica, tanto que algo similar foi utilizado no filme Missão Impossível 5: Nação Secreta. A Watrix chama sua nova tecnologia chinesa de Gait Recognition, o que pode ser traduzido como “reconhecimento de caminhada”.

Além disso, o programa de biometria é bem melhor que o reconhecimento facial. É que ele identifica as pessoas apenas pelas formas de seu corpo e seu jeito de andar. Isso acontece mesmo quando as câmeras não conseguem ver seus rostos. A tecnologia chinesa de reconhecimento já está em uso pelas forças policiais de Beijing e Xangai, as maiores cidades do país, aumentando o uso de Inteligência Artificial nos sistemas de segurança.

Tecnologia chinesa eficiente a 50 metros

Huang Yongzhen, principal executivo da Watrix, diz que sua ferramenta é capaz de reconhecer pessoas em até 50 metros, mesmo que estejam de costas para as câmeras, curvadas ou com o rosto encoberto.

Tecnologia chinesa é à prova de falhas e garante precisão.

Huang Yongzhen, da empresa criadora da tecnologia chinesa, diz que sistema é à prova de enganos.

De acordo com Yongzhen, não dá para enganar o programa. A pessoa pode tentar mancar para disfarçar ou caminhar com os pés para fora ou virados para dentro. Ou ainda tentar parecer corcunda. Nada funciona, porque a análise feita é do corpo inteiro e integral.

Identificando criminosos nas multidões

As polícias de Beijing e Xangai informam que usam essa tecnologia chinesa de biometria, aliada ao reconhecimento facial, para reconhecer criminosos em multidões. Contudo, ninguém garante que o mesmo sistema não vigie pessoas comuns.

O país tem um histórico de controle rígido da população. Algumas províncias da China com crescente número de muçulmanos, por exemplo, já manifestaram interesse em adotar essa tecnologia. Assim, a tendência é de a China incluir no sistema nacional de vigilância o jeito de caminhar das pessoas.

A China é pioneira somente porque o pessoal da Watrix foi mais rápido e eficiente no desenvolvimento dessa ferramenta. Eventualmente, cientistas de outros países, como Japão, Reino Unido e Estados Unidos, estudam programas similares há mais de 10 anos. E certamente irão colocá-los em ação assim que o desenvolvimento estiver concluído.

Dessa maneira, parece inevitável que o reconhecimento pelo jeito de caminhar se espalhe por todo o mundo. Afinal de contas, todas as nações querem os sistemas mais eficazes de identificação de suspeitos.

Mas não é em tempo real

Entretanto, a tecnologia chinesa ainda não é perfeita. O programa da Watrix precisa primeiro captar o movimento de uma pessoa e aí criar um modelo do seu caminhar. Esse vídeo deve ser carregado no sistema como referência e, então, são necessários 10 minutos para analisar uma hora de vídeo em busca daquele caminhar específico.

O software, por outro lado, não precisa de câmeras específicas ou especiais. Ele usa as mesmas câmeras de vigilância instaladas em aeroportos, lojas, ruas ou estações de trem ou metrô.

Até agora a polícia conseguiu uma precisão de 94% com o uso dessa ferramenta. A Watrix considera este percentual bom o suficiente para alavancar a venda de sua tecnologia chinesa. Porém, serviços de vigilância e contraespionagem certamente vão querer uma precisão mais alta.

Isso é conseguido quando o sistema é usado conjuntamente com um software de reconhecimento facial. E esse é outro tema que está na discussão. Afinal, reconhecimento facial precisa ser regulamentado?

Tecnologia chinesa é usada pelas autoridades para reconhecimento de pessoas.

Tecnologia chinesa da Watrix está em uso pela polícia de Beijing e Xangai.

Pela estabilidade e controle social

Contudo, para especialistas chineses, não é surpresa que seu país seja o pioneiro no uso dessa tecnologia. Afinal, é muito focado no controle da população e seu comportamento. Shi Shusi, um colunista de Beijing, explica: “o uso de reconhecimento biométrico para manter a estabilidade, e assim controlar a sociedade, é uma tendência irrefreável. E um grande negócio”.

Tanto professores da Universidade de Osaka, no Japão, quanto pesquisadores na Universidade de Southampton, na Inglaterra, já têm softwares bem desenvolvidos, mas não tanto quanto a tecnologia chinesa. Contudo, ainda não estão prontos para comercialização.

Os ingleses desenvolveram um túnel com 123 câmeras, que criam imagens em 3D das pessoas que passam por ele. Assim, a ideia é instalar esses túneis nos serviços de imigração em aeroportos.

Tecnologia chinesa reconhece pessoas pelo andar.

Tecnologia chinesa de biometria identifica pessoas pelo caminhar.

Então as imagens em 3D de gente caminhando garantiriam precisão máxima mesmo de pessoas com rostos disfarçados, com perucas ou luvas. Já uma companhia israelense, a FST Biometrics, encerrou suas pesquisas neste campo ao não conseguir desenvolver um programa funcional.

O jeito de andar de cada um é único

Na verdade, a tecnologia chinesa está sozinha no mercado porque ela é realmente difícil de desenvolver. Mark Nixon, da Universidade de Southampton, diz que o Gait Recognition é mais complexo computacionalmente que outras tecnologias de reconhecimento. Dessa forma, como as imagens são em movimento, são necessários computadores maiores e mais poderosos.

Tecnologia chinesa identifica pessoas pelo jeito de caminhar.

Como o grupo satírico Monty Python brincava, o jeito de andar é único em cada pessoa.

Contudo, em um ponto ele concorda com os chineses: o jeito de andar de uma pessoa é realmente único, característico e capaz de identificá-la sem erro. Essa é uma forma avançada de biometria, bem como é o reconhecimento facial e o leitor de retina, presente em alguns celulares, como da Samsung e Apple.

Leitores de impressões digitais, como os usados por estabelecimentos bancários e em condomínios, são sistemas de biometria mais simples. Aqui no Brasil já são usados até para identificação de eleitores em pleitos.

Assista abaixo ao vídeo sobre o caminhar estranho do Monty Python, grupo satírico britânico que fez muitos filmes nos anos 1970, 1980 e 1990.

Por outro lado, mesmo em casos extremos, a tecnologia chinesa pode ajudar. Ela é capaz de identificar, por exemplo, um idoso que sofreu uma queda e está desacordado.

E mais uma vez, a China nos surpreende. Então, aproveite para conhecer também sobre marcas e celulares chineses.

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