O reCAPTCHA coleta dados pessoais?

Criado pelo Google, o reCAPTCHA distingue humanos de robôs, mas há dúvidas sobre a privacidade dos dados.

06/11/2019 às 9:00

O serviço reCAPTCHA é um sistema do Google que faz parte do cotidiano de quem navega na internet. É por meio dele que provamos ser humanos, não robôs. E, por vezes, é preciso trabalhar bastante para se conectar em sites. Você clica em fotos borradas de faixas de segurança, ônibus, automóveis, semáforos etc., até que o sistema compreenda que você é um humano. A questão é que o reCAPTCHA coleta dados e aí se concentram as suspeitas sobre ele. Explicamos abaixo essa polêmica.

O monitoramento do reCAPTCHA

No momento, estamos usando a terceira versão do reCAPTCHA, lançada no final de 2018. A atual realmente evoluiu em relação às versões anteriores pois exige menos cliques nas fotos.

Com isso, o Google quer que o seu navegador Chromecast se diferencie positivamente dos concorrentes, como o Firefox, que exigem mais cliques. O recado é que cada usuário tem uma avaliação invisível sobre quão humano é seu comportamento. E a ideia, portanto, é separar definitivamente os humanos dos robôs que invadem sites com interesses mal-intencionados.

O famoso botão “Não sou um robô” do reCAPTCHA.
O famoso botão “Não sou um robô” do reCAPTCHA.

Contudo, há um ponto negativo. A nova versão do reCAPTCHA fica, pois, monitorando você todo o tempo enquanto navega em um site. O Google garante que esse monitoramento não significa coleta de dados comerciais sobre o usuário. Mas alguns especialistas acreditam que isso pode estar acontecendo.

O legado de Turing

A sigla CAPTCHA vem das iniciais das palavras inglesas Completely Automated Public Turing Test to Tell Computers and Humans Apart, que significam Teste de Turing completamente automatizado para separar humanos e computadores. Alan Turing foi um inglês que praticamente inventou o conceito moderno de computadores na década de 1940. Aliás, ele foi retratado no filme O Jogo da Imitação. Veja o trailer:

Antes do CAPTCHA, era inegavelmente fácil para pessoas programarem robôs para se conectar automaticamente em alguns serviços e postar milhares de comentários.

O primeiro CAPTCHA era usado com a ferramenta de busca AltaVista, que nem existe mais. Quando ficou tecnologicamente superado, houve a substituição pela reCAPTCHA, programado para buscadores modernos como o Google. E até por isso o próprio Google comprou o reCAPTCHA em 2009. O sistema usava palavras borradas para o teste porque os humanos conseguiam lê-las, enquanto os computadores não tinham essa habilidade.

reCaptcha usava palavras de leitura complicada até 2014.
reCaptcha usava palavras de leitura complicada até 2014.

Imagens em uso há cinco anos

As palavras borradas eram extraídas da digitalização de todas as edições do jornal The New York Times, tarefa gigantesca executada pelo Google. Lembra como era difícil conseguir lê-las? Aliás, tinha umas letras em maiúsculas e outras em minúsculas, inclinadas, com traços por cima. Isso era bem acima das capacidades dos robôs.

Todavia, também era muito difícil para boa parte dos humanos. Então, a partir de 2014, as palavras começaram a ser substituídas pelo atual conjunto de nove fotos. Todas são extraídas do Google Street View. Depois que você clica no botão “Não sou um robô”, surgem as imagens e lá vai clicar sobre fotos com bicicletas, semáforos ou outros objetos.

reCAPTCHA hoje usa conjunto de fotos.
Quem nunca precisou clicar sobre muitas fotos de carros?

Enquanto faz isso, o Google analisa os tempos que você usa, a maneira como move o mouse. É, então, uma avaliação comportamental, que vai ficando cada vez mais rápida à medida em que seus padrões são aprovados. A ideia é usar sempre menos do seu tempo. Além disso, se você tem um cookie do Google em seu computador, o Google pode até ter armazenada sua identificação positiva como humano e nem apresentar os testes do Street View. Basta, então, apertar o botão.

Mais lento para quem limpa cookies

Isso, portanto, é positivo? Até pode ser, mas usuários preocupados com sua privacidade, que não mantêm cookies armazenados, se queixam de que os testes para eles demoram mais tempo. Eles identificam, por exemplo, as faixas de segurança, mas ainda surgem mais e mais objetos a serem marcados. Os usuários também relatam que testes em navegadores diferentes (Firefox, Edge etc.) demoram sempre mais tempo.

Em suma, isso é preocupante. A suspeita que surge, afinal, é que o Google usa o reCAPTCHA para cimentar sua grande liderança no mercado dos mecanismos de busca. Dessa forma, se você é fiel e deixa seus cookies do Google quietos, então é, com certeza, humano e nem precisa se preocupar. Porém, se você remove cookies ou usa navegadores alternativos, precisa clicar sobre muitas fotos de ônibus, caminhões etc.

O Google usa o reCAPTCHA para monitorar os hábitos de seus usuários e, dessa maneira, saber cada vez mais sobre eles. O propósito é, então, aprimorar o próprio serviço. O Google garante que esses dados não são fornecidos a parceiros comerciais. Mas o reCAPTCHA não deixa de ser um botão que você clica, como o “Curtir” do Facebook presente em muitos sites. E o botão do Facebook é um monitor para anúncios personalizados.

Só contra spam e abusos?

Os dados coletados pelo reCAPTCHA são guardados pelo Google em uma “caixa preta”. Quer dizer, sabemos pouco sobre como são usados. Aliás, a documentação sobre a ferramenta não diz nada sobre uso de dados, seguir usuários ou onde as informações são armazenadas.

Pressionado a explicar o funcionamento, o Google, todavia, insiste que os dados coletados pelo ReCAPTCHA não são usados para anúncios personalizados.  A ferramenta, explica a empresa, é utilizada apenas para combater spam e abusos.

Aliás, sempre atualizamos você sobre o Google aqui no Vivo Guru Blog. Você sabia, por exemplo, que pode usar o Google Docs offline? Além disso, já contamos tudo que o Google sabe sobre você. Até a próxima!

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