Proteger dados: a tarefa cada vez mais difícil na internet

Há um grande comércio de informações pessoais na internet. Mas será que você realmente pode proteger dados?

09/10/2019 às 9:00

Você sabia que os dados pessoais de muita gente estão à venda na internet? Aliás, talvez até mesmo os seus? Em todo o planeta cresce o mercado de dados pessoais. Em princípio, é possível descobrir quase todas as coisas importantes sobre determinada pessoa. E como fazer para proteger dados? Como evitar que informações cadastrais suas estejam ao alcance de terceiros?

É fácil comprar pesquisas

Em primeiro lugar, é bom conferir o que pode estar à venda. No Brasil, um site que vende dados é o “Tudo sobre todos”. Assim, basta você se cadastrar e pode comprar pesquisas sobre pessoas e empresas. A empresa exibe até um modelo de pesquisa:

Como proteger dados?
Exemplo de pesquisa simples no site Tudo sobre todos.

Os resultados podem ser muito amplos. Além do nome e endereço do pesquisado, surgirá CPF, empresas em que é sócio, fontes de renda (se é beneficiário do Bolsa Família ou pensionista do INSS), as pessoas que moram no mesmo endereço. E, além disso, as redes sociais que usa, endereços alternativos, entre outros dados cadastrais. Inclusive, mostra até o nome dos vizinhos.

Muita informação por pouco dinheiro

O Ministério Público Federal, que quer proteger dados, investiga o “Tudo sobre todos” e o considera ilegal, mas ele continua operando. O site diz que obtém seus dados de forma legal, em cartórios, decisões judiciais publicadas, diários oficiais, redes sociais e sites públicos na internet.

Empresas podem comprar pesquisas, por exemplo, sobre determinados bairros de uma cidade. E, assim, fazer ações de marketing e venda realmente focadas no público que realmente a interessa.

Nos Estados Unidos, por US$ 150 (cerca de R$ 600,00) é possível comprar uma lista com 5 mil nomes, com idade, gênero, religião, nível de educação e renda familiar.

Proteger dados, portanto, é muito difícil, mas cada vez mais essencial. As empresas que os detêm e os vendem os obtiveram de outras empresas, que também compraram de outras. É uma rede vasta. Além disso, esforços para criar leis focadas em proteger dados não dão resultados efetivos, pois os dados das pessoas já estão disseminados por vários bancos diferentes.

Todos os dados estão na internet

E eles não são obtidos diretamente de você. Na verdade, é um trabalho de mineração, que colhe os dados conforme você faz uma compra ou assina uma revista. Assim, cada vez que você preenche um formulário está contribuindo indiretamente para engordar o número de seus dados disponíveis.

Como proteger dados?
Seus dados estão na internet. Como evitar sua comercialização?

Mas quem são os clientes? Bancos, por exemplo, os usam para detectar possíveis fraudes. Da mesma forma, são clientes agências governamentais, que usam os dados para buscar criminosos. Porém, muitas empresas usam os dados com fins comerciais.

Mas nem todos os compradores de dados têm boas intenções. Um caso: alguns bancos de dados oferecem informações específicas sobre portadores de Alzheimer, e criminosos podem adquiri-los para tentar aplicar golpes nessas pessoas doentes. Mal intencionados igualmente conseguem descobrir endereços de vítimas.

Empresas falham em proteger dados

E ainda existem perigosas falhas. Em 2017, uma empresa chamada Equifax deixou vazar seu banco de dados com informações de milhões de pessoas. O próprio Facebook igualmente teve vazamentos nocivos.

Então, como proteger dados? Não há como não revelar seu CPF e endereço, por exemplo, se você vive na sociedade digital. Qualquer cadastro de site ou rede social exige várias informações. Enfim, é impossível fazer uma compra sem revelar seu CPF.

Desse modo, são úteis dicas para proteger dados, como manter senhas fortes, o uso de antivírus e a revelação do mínimo possível de dados pessoais. Todavia, não chegam a resolver o problema. Aqui no Brasil, o Serasa (Centralização de Serviços dos Bancos) oferece um serviço de monitoramento de seu CPF que pode ser vantajoso para proteger dados.

Como proteger dados?
O Serasa tem um serviço de monitoramento de CPFs.

Em suma, são relatórios e alertas sobre o uso de seu CPF, com planos a partir de R$ 9,90 mensais. Conheça os detalhes aqui. Aliás, na página inicial do site do Serasa Antifraude já há uma ferramenta legal: você pode consultar se seu e-mail vazou para a temida dark web – território de fraudes.

Regulamentar as vendas

Entretanto, nem esse serviço impede completamente que os seus dados sejam comercializados. Existem esforços, nos EUA, para regulamentar os trabalhos das empresas que vendem banco de dados, o que resulta em alguns avanços. Na Califórnia, a partir de 2020, qualquer cidadão terá a possibilidade de proibir a venda de seus dados. Em outros estados norte-americanos, provedoras de internet são ademais proibidas de vender informações sobre seus clientes.

A ideia é dar às pessoas maior controle e a possibilidade de proteger dados. Isso certamente só será possível com muita lei e trabalho dos governos. E, ainda assim, o mercado ilegal ainda irá sobreviver. Além disso, é virtualmente impossível impedir que todos os sites guardem sigilo sobre seus dados.

É importante estar alerta para proteger dados pessoais da venda na internet para terceiros
Proteger dados na internet, impedindo que sejam usados por terceiros, é tarefa cada vez mais árdua.

Portanto, a completa privacidade não existe e, provavelmente não voltará a existir. Aqui no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados foi sancionada pelo então presidente Michel Temer, em agosto de 2018. Aliás, ela tem um prazo de 18 meses para ser implantada. Com essa lei, empresas que coletam dados de pessoas somente poderão utilizá-los com autorização explícita.

Isso parece ser muito bom, mas contudo há o temor de que, na prática, as pessoas simplesmente continuem clicando no botão “Aceito”, sem saber que autorizam o uso comercial de seus dados.

Importante ter conhecimento sobre tudo isso, concorda? Por isso, o tema da privacidade é assunto sempre explorado aqui no Vivo Guru Blog. Então, já escrevemos sobre o que o Google sabe sobre você. Temos ainda outro artigo especial sobre segurança na internet.

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