Pós-pandemia: como será viajar de avião nos próximos tempos?

É bem possível que, no pós-pandemia, tudo seja muito diferente nos aeroportos e no interior dos aviões.

22/07/2020 às 9:00

Navios de cruzeiro, com toda a certeza, sofreram duro golpe na pandemia, com vários presos no oceano, impedidos de atracar e sofrendo com a morte de vários passageiros.

Na verdade, existem dúvidas se o negócio dos cruzeiros irá se recuperar no pós-pandemia. Entretanto, a situação da aviação comercial também é bastante complicada. Como será viajar de avião neste novo momento?

Grandes prejuízos

A grande maioria dos voos foi suspensa, enquanto viagens internacionais praticamente não existiram durante a pandemia. As companhias aéreas amargam então enormes prejuízos, incluindo falências e pedidos de recuperação judicial. Aliás, 80% de toda a frota de aviões comerciais estão estacionados, sem uso.

Milhares de aviões estão estacionados, sem voar .

Atualmente, e há muito tempo, as empresas aéreas aproveitam ao máximo o espaço interno das aeronaves. Justamente por isso e pela ventilação, que recicla o ar, voar durante a pandemia tornou-se arriscado. Afinal, bastaria ter um passageiro ou tripulante infectado para haver a chance de o viírus se espalhar.

O futuro no pós-pandemia

Em síntese, o modelo de negócio poderá se manter no pós-pandemia? O setor de viagens aéreas é, aliás, muito importante para a economia mundial, movimentando US$ 2,7 trilhões, algo como R$ 13,5 trilhões a cada ano.

Entretanto, seu futuro é desconhecido, uma vez que ainda não há resposta para a pergunta fundamental: afinal, as pessoas viajarão como antes no pós-pandemia? Vamos ver neste texto o que pode mudar.

Fazer mais em casa

A IATA, entidade que congrega as companhias aéreas, quer que os passageiros cheguem ao aeroporto e então façam imediatamente seu embarque. Assim, será obrigatório que todo o processo de check in seja feito em casa.

Além disso, a IATA negocia com os governos para que os controles de passaportes, vistos e outros documentos de identidade também possam ocorrer por via eletrônica, pela internet e fora dos aeroportos.

Apenas colocar malas na esteira

IATA quer que movimento acabe no pós-pandemia, com muitas etapas feitas em casa.

Mas não somente o check in e o visto para os documentos. Com efeito, a IATA propõe que também as etiquetas de bagagem sejam impressas anteriormente pelos usuários, e não nos aeroportos. Desse modo o despacho das bagagens se resumiria a colocar as malas em uma esteira. 

Temperatura controlada

Os controles de temperatura das pessoas, que afinal se tornaram corriqueiros no acesso a supermercados e outros locais, deverão ser permanentes no pós-pandemia em todos os aeroportos. Assim, a temperatura de todos os que chegarem aos aeroportos será medida na entrada, por termômetros infravermelhos de leitura à distância.

Da mesma forma, a temperatura será medida nos desembarques e saídas dos aeroportos. Em resumo, a IATA quer que os aeroportos sejam ambientes esterilizados e que a entrada dos passageiros e funcionários não modifique esse cenário.

Fique atrás das linhas

Certamente você se acostumou com as linhas, separadas por dois metros, nas filas que você enfrenta na pandemia. A IATA quer que esse distanciamento seja mantido, com o mesmo sistema nos aeroportos do pós-pandemia.

Contudo, se essa parece ser uma medida simples, a realidade eventualmente será bem diferente. Em suma, imagine uma fila de 300 pessoas para entrar em uma sala de embarque, todas separadas por dois metros. São 600 metros de extensão, em resumo, essa fila não cabe em um aeroporto.

Fingers e ônibus

Por outro lado, a entidade que congrega as companhias aéreas também quer que governos e administrações dos aeroportos redesenhem o acesso aos aviões. Os corredores suspensos que levam à porta de entrada das aeronaves, conhecidos como fingers, deverão respeitar as normas de distanciamento social.

Igualmente deverá ser mantido distanciamento nos embarques de aeroportos que não têm fingers. Assim, aqueles ônibus lotados que levam os passageiros até os aviões deverão ser usados de forma diferente.

Um desafio para o pós-pandemia, reduzir o movimento nos fingers .

E as bagagens de mão?

Além disso, a ideia é que toda a bagagem seja despachada. Com essa medida, a IATA quer então evitar as aglomerações do embarque dentro do avião.

No pós-pandemia, não deverá se repetir a situação de as pessoas ficarem sempre muito próximas enquanto guardam suas bagagens de mão no compartimento sobre suas cabeças. Contudo, fica uma pergunta: as companhias aéreas vão cobrar pelas bagagens despachadas?

Distanciamento dentro dos aviões

Ou seja, haverá muita preocupação com o distanciamento social no aeroporto e no embarque. Entretanto, e dentro das aeronaves? Afinal, as companhias aéreas querem e precisam vender o máximo número possível de assentos, é o seu negócio.

Aglomeração por causa da bagagem de mão será evitada no pós-pandemia.

A IATA argumenta então que as chances de transmissão de qualquer vírus dentro dos aviões são muito pequenas. A entidade garante a eficiência dos filtros de ar das aeronaves pois eles trocam todo o ar da cabina dúzias de vezes por hora.

E que, além disso, os passageiros sentam de frente para as costas de outro passageiro, e não frente a frente, o que dificulta a transmissão por meio de gotículas.

Aviões cheios são seguros?

Alguns especialistas, por outro lado, discordam nessa questão. Salientam que a respiração de um passageiro ainda permanece no ar antes de ser filtrada. De acordo com a IATA, mesmo aviões cheios são seguros.

Além disso, afirma que o uso de máscaras será opcional e não obrigatório no pós-pandemia. Entretanto, é interessante notar que agora, durante a pandemia, os aviões voam com lotação reduzida e com todo mundo usando máscaras. A polêmica segue e há possibilidade de mudança nas diretrizes da IATA.

A caça ao coronavírus

Os comissários de bordo serão treinados para identificar sintomas de Covid-19. Assim, sempre que um passageiro tossir ou apresentar qualquer outro sintoma, ele será isolado dentro do avião, da melhor forma possível. Então, se o avião estiver cheio tal passageiro poderá até ser isolado num banheiro.

Contudo, há a eventualidade de um passageiro infectado com vírus sem sintomas, sem febre, e que passe na medição de temperatura na entrada do aeroporto. Mais um ponto a ser resolvido, portanto.

Algumas facilidades

A IATA também quer que as companhias aéreas forneçam a cada passageiro uma quantidade extra de lenços e guardanapos esterilizáveis.

E, com o mesmo propósito de oferecer proteção, idealiza uma saída mais rápida dos aeroportos, com o processo de retirada de bagagens facilitado. Em princípio, a entidade quer que os aeroportos instalem um número maior de esteiras transportadoras de bagagens.

Mais sobre o futuro da aviação

Dessa maneira, parece que voar no futuro pós-pandemia será bem diferente, não é mesmo? Ainda há muito a ser definido – é a única certeza que existe no momento.

Certamente este não é nosso primeiro artigo sobre aviação do futuro. Recomendamos que você leia sobre os táxis aéreos elétricos que estão em desenvolvimento e ainda sobre o avião supersônico da NASA.

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