Nintendo propõe resgate importante para o desenvolvimento infantil

Além das funções de controle parental, a gigante dos games se prepara para lançar mais um recurso bem interessante. Conheça o Nintendo Labo e entenda.

07/02/2018 às 11:52

Ninguém precisa ser especialista para entender que o desenvolvimento infantil acaba  comprometido quando há demasiada interação com dispositivos eletrônicos. Os games e vídeos devem ser acessados pelas crianças dentro de certo limite. Só assim irão auxiliar em alguns aspectos educativos e não o contrário. A Nintendo, ao que tudo indica, concorda com essa abordagem. Mas antes de falar sobre o mais recente lançamento da marca, vale contextualizar o assunto.

Um ponto positivo dos games, por exemplo, está associado ao contato das crianças com leis e normas respeitadas em sociedade. “Todo jogo, incluindo os jogos eletrônicos, introduz as crianças em um universo onde elas precisam lidar com regras. Regras submetidas a todos os jogadores”, explica Isadora Bessa, psicóloga clínica, especializanda em Problemas do Desenvolvimento na Infância e na Adolescência do Centro Lydia Coriat de Porto Alegre.

O lúdico também é desperto através dos jogos eletrônicos, já que os pequenos podem fingir ser outros personagens. O chamado “faz de conta”. Entretanto, apesar de ter seus prós, a tecnologia como única opção acaba assumindo papel de vilã. Ela precisa ser vista como um suporte para se tornar aliada.

“É importante deixar bem claro, no entanto, que esses “pontos positivos” não são responsáveis por si só pelos processos do desenvolvimento infantil. Eles podem auxiliar tais processos. Ou seja, não é somente através dos jogos eletrônicos que as crianças podem ser alfabetizadas, aprender a lidar com regras ou adentrar o universo do faz de conta”, afirma Isadora.

Os dispositivos tem sim seus pontos positivos, mas ter cuidado é importante. Tão importante que a maioria das empresas focadas em entretenimento infantil já lançaram uma série de recursos de controle parental. Controle que é recomendado por quem entende do assunto, inclusive.

“Diferentes sociedades de pediatria recomendam que o uso dos videogames, tablets e celulares não inicie antes dos dois anos. E, após essa idade, que seja introduzido de maneira bastante restrita, com limitação de tempo por dia para seu uso”, aponta André Betts, psicólogo, especialista em problemas do desenvolvimento na infância e adolescência.

Durante longos períodos em frente a dispositivos eletrônicos, os pequenos ficam imersos em um universo predominantemente formado por imagens. Esse universo é sim fascinante, porém – sem limites – torna-se nocivo para o desenvolvimento. “Se as crianças passam mais tempo jogando tais jogos ou assistindo vídeos, também passam mais tempo consigo mesmas do que interagindo com as outras pessoas. Isso pode limitar seu modo de estar no mundo”, conclui Isadora.

Ponto para a Nintendo  

Recentemente, um lançamento muito bacana, que atende por Nintendo Labo, foi anunciado. A ideia da empresa é resgatar a proposta de que as crianças precisam ter tempo para interagir com recursos offline. Ou seja, com brinquedos tradicionais.

O Nintendo Labo traz peças em papelão para que as crianças tenham a chance de construir o próprio brinquedo. Depois de pronto, ainda existe a opção de integrar o Switch com o Labo, por exemplo.

Iniciativas como essa são importantes, pois permitem que as crianças falem sobre o que acontece com elas, elaborem seus conflitos. “Quanto mais o brincar for recheado de criação e invenção, maior a possibilidade da criança elaborar o que eventualmente causa sofrimento”, explica Isadora Bessa.

O Nintendo Labo deve chegar às prateleiras dos EUA dia 20 abril. O preço varia de U$70,00 e U$ 80,00 (algo em torno de R$ 250,00).  

Vale lembrar que os consoles Nintendo e os videogames Nintendo contam com opções de controle parental. Os pais e responsáveis podem limitar o tempo de jogo e até ter acesso a relatórios de uso.

Infelizmente, não existe nenhuma loja da Nintendo no Brasil, nem representação por aqui. Ou seja, para adquirir qualquer produto da marca, você precisa comprar online, ou em alguma viagem ao exterior. Lojas como Eshop, Play-Asia, Maximus Cards e Power Seller  são boas opções.

Recomendação aos pais

As peças do Nintendo Labo são pré-determinadas, de forma que a criança, monta como se fosse um quebra-cabeça. Então, a partir da ideia da empresa, incrementar a rotina das crianças é bastante válido. Assim elas também tem a opção de brincar livremente com papelão, por exemplo, e desenvolver ainda mais o lado criativo.

André Betts recomenda o curta-metragem ‘The Adventures of a Cardboard Box’, que está disponível no Youtube. “Ele mostra as aventuras de um menino que, através de uma caixa de papelão, constrói tantas histórias quanto sua imaginação o permite”.

O especialista ainda reforça que o videogame e os jogos digitais podem ser uma boa ferramenta de desenvolvimento cognitivo. Desde que o acesso ao dispositivo não impeça que a criança realize atividades escolares, e brinque offline também. “Além disso, deve-se sempre observar a classificação etária indicada no jogo, pois existem games que apresentam conteúdos inadequados às crianças menores”, concluí Betts.

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