Mulheres na TI: conheça referências e faça parte de grupos que ajudam no desenvolvimento da equidade de gênero

Número de trabalhadoras em áreas tecnológicas cresce, mas os dados ainda podem melhorar. No Brasil, a ONU Mulheres lançou um projeto para aumentar a participação feminina em C&T até 2030.

08/03/2018 às 9:42

Quem já esteve no setor de tecnologia de uma empresa sabe que as mulheres na TI, e áreas afins, são minoria. Mas a situação vem mudando. Como reflexo dos movimentos de empoderamento, os campos científicos, incluindo tecnologia, ganham cada vez mais igualdade de gênero. Aliás, a Campus Party Brasil 2018 é reflexo desse contexto, a participação feminina aumentou consideravelmente no evento. 

Mulheres na TI, sim! Mas nem sempre o pensamento foi esse. Em 2016, o filme ‘Estrelas Além do Tempo’ chamou a atenção para um fato muito pouco conhecido. O longa conta a história de três matemáticas da Nasa que, na década de 1960, sofreram muito preconceito dos colegas de trabalho. Por serem negras, ainda sentiram o peso do racismo.

Na agência, mulheres só tinham funções administrativas menores, e apesar de boicotadas, Mary JacksonDorothy VaughKatherine Johnson foram essenciais nas pesquisas matemáticas da corrida contra a União Soviética. E só agora, passados quase 60 anos, tiveram reconhecimento do grande público, ficando conhecidas como “computadores humanos da Nasa”.

Felizmente, as mulheres seguem cada vez mais empoderadas. Neste Dia Internacional da Mulher, a Mattel lança 18 bonecas Barbie inspiradas em mulheres que fizeram a diferença. Entre elas, uma das cientistas retratada nas telonas, Katherine Johnson.

Foto da campanha da Mattel que mostra a Barbie de Katherine Johnson
Mattel lança bárbie da matemática Katherine Johnson.

High-tech women que entraram para a história

O lançamento da Mattel é bastante significativo para que as meninas tenham contato desde cedo com high-tech women. Porém, grande parte das profissionais vinculadas à tecnologia ainda permanece escondida. Vale destacar outras heroínas desbravadoras do segmento. Duas delas, programadoras, de fato, mulheres na TI.

Ada Lovelace (1815-1852)

A primeira programadora da história, a inglesa Ada, filha do poeta Lorde Byron, tinha formação sólida em matemática, algo raro na época. “A ciência para mim é religião. E religião é ciência”, dizia ela. Imaginem isso no século 19. Suas ideias incluíram o sistema de cartões perfurados, formato utilizado para programar os primeiros computadores, em meados do século 20.

Grace Hopper (1906-1992)

A norte-americana Grace criou a Linguagem Comum Orientada para Negócios (Cobol, na sigla em inglês), primeira linguagem complexa de computador. Em Harvard, trabalhou como programadora do primeiro computador de grande capacidade, o Mark I. Também ficou conhecida por ter batizado o primeiro bug de computador da história – uma mariposa ficou presa à máquina, e ela quem chamou o ato de remoção do inseto de debugging.

Valentina Tereshkova (nascida em 1937)

A primeira mulher a voar ao espaço exterior, em julho de 1963. A russa Valentina também ficou conhecida como Chaika (“gaivota”, em russo), seu codinome na missão. Ela deu 48 voltas em torno da Terra, durante 71 horas, mais tempo do que o previsto. São dela as frases: “na Terra, homens e mulheres correm os mesmos riscos. Por que não deveríamos fazer o mesmo no espaço?”.

Faça parte também da história da tecnologia

Digamos que você é mulher e trabalha com tecnologia, ou que você conhece uma menina com esse perfil. Essas dicas são para você (para pegar ou compartilhar). Há muitas iniciativas colaborativas, que ajudam no desenvolvimento da equidade de gênero. Espaços ideias de união, e que também podem resultar em bons projetos. Já pensou em também fazer parte da história da tecnologia?

Women Techmakers

A Google tem uma plataforma dedicada a mulheres que trabalham com tecnologia. A ideia da iniciativa, chamada Women Techmakers, surgiu em 2014, para conectar, dar visibilidade e até gerar recursos. Garotas do mundo inteiro participam do projeto que realiza eventos por todo o globo, inclusive, no Brasil. A próxima atividade por aqui é o Google Belo Horizonte, na capital de Minas Gerais, dia 24 de março.

Girls in Tech  

Iniciativa global que promove engajamento, educação e empoderamento de meninas e mulheres apaixonadas por tecnologia. O Girls in Tech tem o objetivo de acelerar o crescimento de mulheres inovadoras e criar startups de sucesso. O escritório central da GIT é em São Francisco, Califórnia, e está presente em mais de 18 países, incluindo Brasil.

Inside out Project

Grupo com o objetivo de apoiar e criar iniciativas que visem aumentar a diversidade no meio tecnológico. As responsáveis estão sempre em contato com outros projetos, apoiando eventos por todo o país.

Minas programam

Visa desconstruir a noção de que os homens são mais aptos a programar, ou seja, incentiva exatamente mulheres na TI. Apresenta cursos, projetos, debates. Normalmente, os eventos do projeto acontecem em São Paulo e Rio de Janeiro.

Programaria

Motiva meninas a se sentirem confiantes a explorar os campos da tecnologia, da programação e do empreendedorismo. Promove oportunidades e ferramentas para que elas deem os primeiros passos na aprendizagem da programação.

Sinal vermelho

Apesar de tantos movimentos incríveis de mulheres na TI e profissões afins, os números quanto a participação feminina na C&T ainda podem evoluir, e muito. Em 2017, a ONU Mulheres (braço das Nações Unidas) alertou para dados internacionais sobre gênero, ciência e tecnologia.

  • Mulheres têm somente 18% dos títulos de graduação em Ciências da Computação;
  • São, atualmente, apenas 25% da força de trabalho da indústria digital;
  • 74% das meninas têm interesse em ciência, tecnologia, engenharia e matemática;
  • Só 30% das pesquisadoras do mundo são mulheres;
  • 144 países em desenvolvimento aumentariam o PIB em US$ 8 trilhões se 600 milhões de mulheres e meninas acessassem as áreas.

Diante da pesquisa, a ONU Mulheres apresentou um projeto especial para o Brasil, no mês de fevereiro, em São Paulo. Discutida durante o “Por um Planeta 50-50 em 2030: Mulheres e Meninas na Ciência & Tecnologia”, a iniciativa pretende aumentar a participação feminina em C&T no país. Que venha 2030!

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