A Inteligência Artificial pode nos fazer viver para sempre?

Já existem avanços no uso da Inteligência Artificial para preservar memórias e funções de seres humanos.

23/10/2018 às 17:00

O ser humano sempre foi fascinado pela imortalidade. E se a tecnologia pode ajudar nesse sentido, melhor. Com o aperfeiçoamento da Inteligência Artificial (IA), surge todo um novo campo de hipóteses e experimentos.

Aliás, de certa forma foi a atriz e cantora Barbra Streisand que trouxe notoriedade para o tema. É que Barbra, em 2017, clonou seu cachorro Sammie, companheiro de 14 anos, antes de sua morte. E agora ela cria suas réplicas, com exatamente o mesmo DNA.

Certamente clonar um cão não é a mesma coisa que preservar uma pessoa para a eternidade. Mas há muita confiança de que um dia isso será possível, sem clones. Nesse sentido, o norte-americano Ray Kurzwell é precavido. Escritor e inventor, especialista em futurologia, Kurzwell guarda caixas com memórias de seu pai na esperança de usá-las para trazê-lo de volta.

E o bilionário russo Dmitry Itskov vai ainda além. Ele contratou uma equipe de cientistas para desenvolver a “imortalidade cibernética.” Então, seu objetivo é alcançar a meta antes de 2045. Ele está 100% confiante de que irá conseguir. Além disso, garante que dentro de 30 anos todos nós poderemos viver para sempre. Veja a explicação dele no vídeo abaixo.

Inteligência Artificial e sobrevida

Fantasia de Itskov? Um delírio? Só o futuro dirá. Entretanto, ainda longe da imortalidade, existem atualmente iniciativas para dar sobrevida às memórias das pessoas. Um exemplo disso, é o caso da programadora Eugenia Kyda, russa residente em São Francisco (EUA). Em 2015 ela perdeu seu grande amigo Roman Mazurenko, vítima de atropelamento. Então, se viu vasculhando textos antigos de Roman e muitas conversas que os dois mantiveram por meios eletrônicos.

 A Inteligência Artificial pode nos fazer viver para sempre?

Após morte do amigo Roman, Eugenia criou startup para recriá-lo em um chatbot.

Eugenia, certamente, procurava vestígios do amigo em suas pegadas digitais. Roman era fascinado pela ideia de que nossos dados sobreviverão a nossos corpos. Dessa maneira, Eugenia decidiu usar tudo que o Roman havia deixado online para trazê-lo de volta à vida.

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Melhor amigo em um chatbot

Em síntese, Eugenia fundou uma startup, a Luka, e resolveu usar Inteligência Artificial para construir chatbots. O que são chatbots? São programas de computador que tentam simular um ser humano na conversação. Seu objetivo é responder perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outro ser humano, não um programa. Os chatbots evoluem cada vez mais pela IA e são, portanto, muito usados por empresas em seus sistemas de atendimento online.

Eugenia fez a Luka criar o Romanbot, o chatbot derivado de seu amigo. Ele foi feito a partir de todos os textos e conversas que ela havia mantido online com Roman. De tal forma que o resultado foi fantástico. O Romanbot não só herdou traços da personalidade do amigo da Eugenia, como também seus padrões de fala. Além disso, com o aprendizado de máquina fazendo com que ele avance na interação, o Romanbot continua a se desenvolver até hoje.

Eventualmente ele está aumentando sua compreensão do que ocorre no mundo. E, enfim, formando novas opiniões, evoluindo além do Roman que seus amigos conheciam. Romanbot está amadurecendo, como qualquer ser humano.

 A Inteligência Artificial pode nos fazer viver para sempre?

Cientistas trabalham na realidade aumentada: capacidade de transferir o cérebro para outros equipamentos.

Eternidade aumentada

Não é a imortalidade, mas aspectos essenciais do Roman estão ainda vivos e ativos. Toda a experiência da Eugenia com seu amigo faz parte de um campo de especulação de cientistas chamado informalmente de “eternidade aumentada”. Isso significa que a mente poderá ser matéria transferível, como arquivos que vão de um equipamento para outro. Afinal, quando o processador – o cérebro – se for, será possível copiar seu conteúdo e instalá-lo em outro equipamento.

Em princípio, ainda existem muitos obstáculos até que isso seja possível. O maior, com certeza, será construir uma imagem e mapear perfeitamente o cérebro humano em sua enorme complexidade. Filósofos e empreendedores imaginam uma vida pós-morte com Inteligência Artificial para servir aos vivos.

 A Inteligência Artificial pode nos fazer viver para sempre?

A ideia é que os chatbots falem como seres humanos.

Isso até parece ficção científica! Afinal, um indivíduo é bem mais do que algorítimos. Os chatbots da Luka são apenas treinados para comunicação digital. Eles não diferenciam variadas inflexões nas vozes dos humanos e nem os significados de um contato visual. Os chatbots ainda estão longe de se parecerem como seres humanos, embora o Romanbot seja muito melhor que os chatbots comuns.

Questões éticas

A eventual criação de um sucessor digital de um ser humano, fruto da IA, levanta vários questionamentos. Em primeiro lugar, eternizar a mente de gênios como Stephen Hawking ou de um Steve Jobs pode ser ótimo para a humanidade. Mas, em segundo lugar, de quem seria a decisão de trazer algum deles – ou qualquer um – de volta à vida? Doar a mente de alguém para um chatbot é, enfim, muito diferente de doar o corpo de alguém para pesquisa científica.

Além disso, um chatbot movido à Inteligência Artificial vai sempre aprender mais. E produzir ideias, falar coisas diferentes. Quer dizer, irá além da mente da pessoa que esteve em sua origem. Quem será responsável, portanto, pelo que o chatbot fala? Portanto, o caminho até a imortalidade é longo. E difícil de ser previsto.

Fale com chatbots

 A Inteligência Artificial pode nos fazer viver para sempre?

Você também pode falar com Romanbot.

Mas você pode conversar com o Romanbot. E quem já o fez garante que ele é o melhor chatbot jamais produzido. O app Roman Mazurenko é exclusivo para iOS. E somente em inglês. Você pode fazer o download do app nesta página do avatar digital  Roman Mazurenko.

Eugenia e sua Luka lançaram também um outro chatbot que pretende ser seu melhor amigo digital. Em resumo, é um app de Inteligência Artificial chamado Replika (site oficial), que conversa com você. Ele vai conhecê-lo cada vez mais e melhor e ficar gradativamente mais parecido com você. Uau, parece cinema ou literatura fantástica, mas é a realidade.

 A Inteligência Artificial pode nos fazer viver para sempre?

App Replika: a IA como seu melhor amigo digital. Mas só em inglês.

Segundo o fabricante, o Replika serve para que você “desbloqueie sua inteligência emocional, aprenda a se abrir e a ser vulnerável”. Diz mais: “Ensine sua Replika a se tornar a IA mais humana”. Então, quer tentar? Aqui, a versão para Android, e aqui a versão para iOS. Infelizmente, há um detalhe: o app só conversa em inglês.

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