Inteligência artificial vai à sala de aula

Conheça exemplos em que a IA já é usada com sucesso na educação no mundo e também no Brasil

15/05/2018 às 9:00

Acredite: a inteligência artificial não é uma possibilidade de futuro para a educação. Pelo contrário. Ela já é o futuro! Ferramentas de inteligência artificial serão presença permanente e contínua em todas as salas de aulas e processos de ensino, como já acontece várias escolas. Como? Te mostramos!

As aulas de Anderson

Veja o caso do estudante Anderson dos Santos Andrade, 16 anos. Basta fazer o login na plataforma virtual do colégio em que estuda para ver seu plano de estudos. Ele também percebe faltam seis vídeos de biologia para assistir e, depois, completar os exercícios online. Um dos questionários vem com a hashtag #cainaprova, e Anderson sabe que aquele conteúdo ajudará a garantir nota no bimestre.

Anderson é aluno de um Centro Educacional do Sesi (Serviço Social da Indústria), em São Paulo. Ele e seus colegas usam a plataforma para atividades indicadas pelos professores, além de acompanhar seu desempenho e classificar conteúdos pelo grau de dificuldade. E, enquanto o estudante completa as tarefas, o sistema identifica, via algoritmos, o quanto ele entendeu de cada matéria. Muito prático, não?

Correção automática

O algoritmo também indica quais aulas Anderson deve assistir para tirar dúvidas. Já os professores medem o aprendizado dos alunos e das turmas, passam aulas complementares e fazem correção automática dos exercícios.

Cada vez mais estudantes, no Brasil e no mundo, estão sendo auxiliados pela inteligência artificial. E chegaremos ao momento em que todo aluno terá seu próprio tutor individual: uma IA particular. Imagine você com esse tutor, 24 horas por dia, ensinando o necessário, respeitando seu jeito e velocidade de aprender, e ajudando ainda a superar dificuldades específicas.

Ensino personalizado 

Até pouco tempo, o cenário seria fantasioso, já que é humanamente impossível um professor para cada estudante no planeta. Aliás, essa é a razão dos atuais sistemas de ensino, com salas de aula coletivas e conteúdos padronizados para todos. Mas a inteligência artificial transforma o ideal de ensino personalizado em algo cada vez mais factível.

E os professores, como ficam?  Devem ficar bem, porque a experiência humana é insubstituível no processo de aprendizagem. Professores serão beneficiados por ferramentas que os auxiliem a entregar a seus alunos um aprendizado personalizado e flexível. E isso evitará que estudantes fiquem para trás por terem perfis diferente da média ou por não se adequarem ao ensino padrão.

 

Um tutor para sempre

Hoje já é possível imaginar um futuro com ainda mais IA na vida dos estudantes. O mesmo tutor virtual poderá acompanhar uma pessoa pela vida, ajudando-a com qualquer estudo (na escola e fora dela), em tempo real, medindo o aprendizado enquanto ele ocorre. Com milhares de ferramentas, desenvolvidas por especialistas em educação e em tecnologia, e capazes de superar todos os desafios de aprendizagem.

A inteligência artificial poderá nos levar a um universo educacional capaz de incluir e atender melhor cada pessoa. Não é ficção científica, já é realidade e é também transformação de vidas.

União entre dois gigantes

IBM, uma das maiores empresas de informática, e a Pearson, grupo inglês líder em educação no mundo, firmaram parceria para oferecer plataforma de IA para universitários. Já há um projeto piloto em andamento, com tutores digitais. Esses tutores se envolvem com os alunos por meio de entrevistas e orientações sobre conceitos-chave. A mesma plataforma também permitirá que professores ofereçam a cada aluno uma assistência precisa e orientada para o aprendizado.

Aprendizado adaptável

A cientista social Rose Luckin, da Universidade de Londres, explicou detalhes do projeto IBM/Pearson em entrevista ao portal Entretanto Educação: “Inteligência artificial não é apenas uma nova etapa para a inovação do ensino. É muito mais! A tecnologia de IA identifica estados emocionais dos estudantes e adapta o aprendizado de acordo com isso”.

Pearson e IBM firmaram parceria para criar plataforma voltada à inteligência artificial na educação

Rose vai além: “No ensino convencional, há sempre estudantes que não conseguem acompanhar aulas muito longas ou centralizadas no conteúdo oferecido pelo professor. A IA torna a aprendizagem mais igualitária pois o tutor virtual é adaptável a cada aluno”.

Experiência com adultos

No Brasil, a escola paulista Saint Paul, de Negócios e Finanças, se destaca ao apresentar IA na educação de adultos. Já em 2017 ela lançou sua plataforma LIT, embasada no modelo de IA Watson da IBM e em recursos como e-learning e biblioteca virtual. A plataforma LIT se define como disruptiva, autodirecionada, personalizada e democrática.

O ensino da escola conta com o tutor virtual Paul, que identifica conteúdos e formas adequados à personalidade de cada aluno. E também estimula o emprego de micromomentos para o aprendizado personalizado ao longo do dia. Todos os MBAs executivos da Saint Paul contam com disciplina por IA. Também têm mais carga horária de transformação digital e matéria sobre ‘coding’ (programação).

Geekie, plataforma brasileira

Já a plataforma usada por Anderson e seus colegas na escola do Sesi e outras 600 escolas privadas no país é a brasileira Geekie. Um dos seus cofundadores, Leonardo Carvalho, explicou em entrevista à BBC o seu funcionamento: “Conforme os alunos usam a ferramenta, assistem às aulas e respondem as questões. Suas respostas são comparadas a modelos, que ajudam os professores a entender o que aprenderam e quais suas dificuldades”.

Interface da plataforma brasileira Geekie, usada em diversos colégios para facilitar o aprendizado

Leonardo Carvalho afirma: “A IA é um conjunto de ferramentas estatísticas que cria mais conhecimento quanto mais os alunos as utilizam. Em uma sala com 50 alunos, o professor não consegue ver a dúvida exata de cada um. O programa faz isso”.

Projetos por todo o mundo

A inteligência artificial avança em sistemas de ensino em todos os continentes. Na Califórnia, Estados Unidos, a AltSchool usa uma plataforma adaptada para cada aluno. O estudante tem sua playlist de vídeos, textos e exames elaborada conforme suas preferências e suas deficiências de ensino.

Na Índia, o programa Mindspark criou um banco de dados ao longo de dez anos, a partir de milhões de avaliações educacionais. O banco ajuda professores a identificar com precisão quais são as necessidades dos alunos.

E, no Reino Unido, a empresa Third Space Learning, em parceria com a Universidade College London, tenta melhorar o aprendizado da matemática com tutor virtual adaptado a cada criança, com base na análise de milhares de horas de aulas prévias.

Ferramenta para o ensino

O importante é ajudar tanto o aluno quanto o professor. Segundo Leonardo Carvalho, criador da plataforma Geekie, a “Inteligência artificial ajuda o professor a ser um facilitador do aprendizado, algo impossível de ser mecanizado. A ideia é dar mais ferramentas para auxiliar a parte que só o professor consegue fazer”.

Para Rose Luckin, da Universidade de Londres, “fundamental é identificar o problema que a escola está tentando resolver com a tecnologia. Só então dá para usar a inteligência artificial no que ela é útil, ao mesmo tempo em que se mantém o aspecto humano no que ele é único”. Computadores, explica ela, são eficazes em analisar dados e identificar padrões como erros e acertos dos alunos. Mas não são bons, por exemplo, em replicar o intelecto e o instinto de um bom professor. A tecnologia não deve substituir o professor, mas ajudá-lo a aperfeiçoar e otimizar suas aulas. Essa, segundo a cientista social, é uma questão crucial: “O ideal sempre é ter interação humana com a tecnologia”.

Inteligência artificial faz parte da agenda contemporânea, concorda? Você quer saber mais? Então leia esta matéria sobre um gênio da matemática que coordena a legislação de IA para seu uso na França.

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