Inteligência Artificial faz diagnóstico de doença ocular

Futuro da humanidade se vincula cada vez mais aos avanços da inteligência artificial na medicina

25/04/2018 às 15:48

A cada dia a Inteligência Artificial (IA) participa um pouco mais de nossas vidas. Na ciência da computação, pesquisas em IA desenvolvem tecnologias que simulam o raciocínio humano, a nossa inteligência.

Além disso, a medicina é uma das áreas onde ela avança com mais rapidez. Sua última conquista: um programa de Inteligência Artificial para fazer diagnósticos de doença ocular, dispensando a participação de um médico.

Pela primeira vez, o resultado de uma pesquisa desse tipo recebeu o aval da FDA (Food and Drug Administration). Portanto, não é uma façanha pequena. A FDA, órgão regulador da medicina e saúde nos Estados Unidos, é reconhecidamente exigente para liberar qualquer medicamento ou tratamento.

Como são feitos os diagnósticos por Inteligência Artificial

O programa de diagnóstico por Inteligência Artificial se chama IDx-DR. E é tão fácil de usar que, segundo a empresa fabricante EyeDiagnosis, requer “mínimo treinamento” para o operador.

O IDx-DR foi desenhado para analisar imagens dos olhos dos pacientes e diagnosticar se o mesmo tem retinopatia diabética. A doença é a perturbação visual mais frequente entre portadores de diabetes. Se não for detectada no início, pode levar à cegueira, pois danifica vasos sanguíneos no fundo do olho. Daí a importância de um diagnóstico precoce.

 Inteligência Artificial faz diagnóstico de doença ocular.

O IDx-DR, através da imagem dos olhos, é capaz de diagnosticar se o paciente possui retinopatia diabética.

Portanto, o IDx-DR examina fotos da retina feitas por médico com uma câmera especial. Depois de verificar se as imagens têm qualidade suficiente, o algoritmo do programa verifica se o paciente sofre ou não de retinopatia diabética. Para entender melhor, algoritmo é o conjunto de dados associados a regras e procedimentos lógicos que levam à solução de um problema.

Em um teste clínico com 900 fotos de retinas, o IDx-DR detectou a retinopatia diabética em 87% dos casos. Ou seja, em índice similar, 90%, identificou corretamente as pessoas que não sofriam da doença.

Detecção de câncer de pele

Outro exemplo da Inteligência Artificial na medicina é ainda mais radical, não exigindo câmeras especiais ou equipamentos sofisticados. No entanto, ele ainda não foi submetido à aprovação da FDA. Mas, tem surpreendido a área de saúde dos EUA. Uma equipe da Universidade de Stanford desenvolveu um sistema de IA que diagnostica câncer de pele com precisão.

Aliás, os pesquisadores alimentaram um computador com enorme quantidade de fotos de marcas e sinais de pele, benignas ou não. Para cada foto, os cientistas diziam à máquina o que a imagem representava.

Contudo, o computador aprendeu a diferenciar umas de outras, e assim se criou um potente algoritmo. Agora, basta mostrar uma foto que ele sabe dizer se é de um câncer de pele ou não. Eles usaram redes neurais, a mais poderosa ferramenta para fazer máquinas aprenderem e criar Inteligência Artificial.

Portanto, o processo de criação do IDx-DR, para diagnóstico da retinopatia diabética foi semelhante.

App de diagnóstico para smartphone

O próximo passo: os pesquisadores de Stanford já estão trabalhando para transferir seu algoritmo para aplicativo para celular. Em breve você mesmo fará uma foto de sinais na pele e mostrará para o app de seu smartphone para ter diagnóstico preciso e imediato. É a Inteligência Artificial vinculada ao futuro da medicina.

 Inteligência Artificial faz diagnóstico de doença ocular.

O smartphone tem a tendência de se tornar cada vez mais um aliado no diagnóstico e prevenção de doenças.

De olho no coração

Outro desenvolvimento da aplicação de Inteligência Artitificial na área da saúde é focado no coração. A ideia é um wearable (algo usável no corpo, como pulseira ou roupa) que produza eletrocardiograma constante de um paciente cardíaco. E, por um app, seria possível emitir avisos e alarmes em caso de alteração. Se o paciente não apresentar problemas, ele de qualquer forma poderá mostrar a evolução do comportamento cardíaco a seu médico.

IA não substitui os médicos

Os cientistas já sabem que nada substitui os médicos. Inserir em um computador a gigantesca massa de dados que fazem a formação de um profissional é algo fora do alcance. Tratamento sempre será privilégio do médico.

Mesmo assim, outros sistemas de diagnóstico impulsionados por algoritmos e máquinas capazes de aprender vão surgir de tempos em tempos. Eles terão percentual de acerto que pode ser superior ao dos doutores.

Seu custo de operação é muito baixo, não existem filas de espera para o exame, podem trabalhar ininterruptamente e nunca se cansam. As aplicações de inteligência artificial serão cada vez mais úteis na área de diagnósticos. Os custos da medicina poderiam cair, para todos.

3 questões ainda sem respostas

Como toda tecnologia de Inteligência Artificial, os sistemas de diagnóstico suscitam várias indagações. Algumas delas, inclusive, envolvem a ética e naturalmente exigirão muitas análises e discussões. Três questões para as quais a ciência ainda não tem respostas:

  1. Expectativas não realistas – fantasias são exploradas muitas vezes pela ficção científica, pela indústria do entretenimento e até pela mídia. Cientistas e pesquisadores de IA afirmam que nem tudo é possível e nem a mais sofisticada tecnologia faz mágica.
  2. Privacidade dos dados médicos – muitos sistemas de IA aplicados à saúde serão armazenados em nuvem, para uso em rede, e alguns dados médicos são identificáveis. Por exemplo: impossível apagar feições do paciente se um sistema de diagnósticos por IA examina o rosto em busca de sinais de doença. Cientistas dizem que, como em qualquer outro setor, vazamentos um dia irão ocorrer. Como ficará a confiança na tecnologia?
  3. Responsabilidade – quem será responsável quando um médico aceitar diagnóstico errado feito por um programa com IA?

Prepare-se para sua primeira consulta

Independentemente dessas preocupações, a medicina por IA está chegando. Logo você vai experimentá-la no futuro. E ele nem está distante. Boa parte da inteligência artificial adotada ocorrerá em segundo plano, invisível. Será um trabalho por trás das telas que deixará a medicina mais barata e eficaz.

Mas algumas aplicações – como as que mostramos – chegarão até suas mãos como apps, wearables, sites ou programas de computador. A melhor coisa a fazer é compreender os paradigmas que estão sendo quebrados, como a aprovação da FDA ao diagnóstico por IA da retinopatia diabética. E preparar-se para sua primeira consulta.

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