Injeções poderão ser substituídas por cápsulas ou comprimidos

Pesquisadores conseguem avanços, tanto na cavitação a laser quanto em uma pílula que substitui as injeções.

13/05/2020 às 9:00

Inegavelmente injeções são desagradáveis, desconfortáveis e podem ser bem dolorosas. O problema é ainda pior para cerca de 10 a 20% da população, que sofre de tripanofobia, ou seja, o medo extremo de tomar injeções.

Entretanto, novas tecnologias chegam para aliviar ou até eliminar este sofrimento. Elas incluem desde o uso de pistolas sem agulha, passando por cavitação a laser, indo até uma pílula que substitui as injeções. Abaixo, mostramos para você essas novidades.

Injeções com pistolas pneumáticas

Bem, mas vamos às possibilidades que a tecnologia nos oferece ou irá apresentar ao mercado em breve. Por exemplo, já está disponível há algum tempo uma tecnologia de injeções sem agulha. Portanto, são injetores pneumáticos que usam a pressão de uma mola movida a comprimido para injetar um fluxo estreito do remédio vaporizado sob a pele e dentro do corpo humano.

Imagem de uma menina sendo vacinada com uma pistola simbolizando injeções.
Vacinação com pistola, nos anos 1980.

Em suma, os injetores pneumáticos produzem um jato com diâmetro de 0,2mm aproximadamente, similar ao das agulhas de injetar insulina.  A velocidade deste jato é de cerca de 200 metros por segundo. E assim a mudança no diâmetro do jato determina o quão profundamente ele penetra no corpo, alterando a taxa de absorção do medicamento de acordo com o tratamento mais indicado.

Dispersão sobre a pele

De fato, o jato de medicamento tem vantagens em relação às injeções tradicionais. Em outras palavras, ele se dispersa melhor dentro do corpo humano e é absorvido um pouco mais lentamente, o que pode ser indicado para vários pacientes. Os cientistas estão, aliás, permanentemente pesquisando para aperfeiçoar esse sistema de injeções sem agulha.

Todavia, os modelos em uso atualmente têm uma indesejada dispersão de um pouco do medicamento sobre a pele sem ser injetado no corpo humano. Mas pesquisas apontam uma solução para esse problema: a cavitação a laser.

Com o auxílio da física

Cavitação é o fenômeno da física por meio do qual rápidas mudanças na pressão de um líquido geram uma bolha de vapor de baixa pressão. Dessa maneira, submetida a uma pressão mais alta, a bolha pode ser inserida através da pele humana. E como, então, conseguir a pressão necessária? A resposta certamente está em um laser pulsante.

Entretanto, os lasers pulsantes são caros e muito grandes. Para contornar essa situação, um grupo de pesquisadores desenvolveu um laser de onda contínua, mais barato e portátil. Aliás, sua eficiência é inegável: com essa cavitação a laser, o jato de medicamento é inserido a uma velocidade de 250 metros por segundo, penetrando até cinco milímetros abaixo da pele.

Descoberta no século 19

O surpreendente é que técnicas para injetar substâncias dentro do corpo humano sem uma agulha foram descobertas ainda no final do século 19. Isso aconteceu acidentalmente, quando trabalhadores sem querer injetavam em si mesmos a cola de suas pistolas de alta pressão. Todavia, foi somente em 1960 que surgiu um modelo eficaz para uso em humanos, no exército dos Estados Unidos, que passou a usar uma pistola de jato para vacina contra tifo e sarampo.

Imagem de uma cena do filme Star Trek onde um personagem dá uma injeção no outro sem agulha.
O “hypospray” de Star Trek: sem agulha, sem injeções.

Logo após, as vacinas contra poliomielite também começaram a ser feitas por pistolas. Aliás, poucos anos depois elas entram na cultura popular, por seu uso na série Star Trek, onde eram chamadas de “hyposprays”.

Problemas de contaminação

Mas o sucesso desses dispositivos começou a desaparecer nos anos 1980 e 1990. Isso aconteceu devido ao risco de contaminação e infecções. De fato, os modelos antigos de pistola poderiam não intencionalmente injetar no corpo humano contaminantes, como bactérias ou fungos que estivessem sobre a pele da pessoa. Da mesma forma havia o risco de a pistola pegar um contaminante de um paciente e transferi-lo para o seguinte.

Essa questão acabou sendo minimizada com a descoberta e a introdução de injetores com bicos descartáveis. E a chegada do sistema de cavitação a laser pode ser o futuro para as injeções.

Injeções para engolir

Entretanto, para as pessoas que sofrem de tripanofobia, até esses métodos de injeção sem agulha podem ser inaceitáveis. Mas há uma esperança bem factível. Outrossim, pesquisadores estão avançados no desenvolvimento da primeira injeção que pode ser simplesmente engolida, como qualquer pílula, cápsula ou drágea.

O conceito é muito surpreendente: microagulhas compactadas em um comprimido. Assim, a pessoa engole esse comprimido e uma vez que ele está no seu estômago se dissolve em um conjunto de macromoléculas medicinais. Essas, em síntese, se injetam automaticamente e sem dor nas paredes do sistema gastrointestinal.

Um avanço para os diabéticos

Esse sistema é chamado de SOMA, da sigla em inglês para “aplicador de escala milimétrica auto-orientado”. Ele já é considerado como o próximo grande avanço para beneficiar os diabéticos. As pessoas que sofrem de diabetes precisam se autoinjetar com insulina de duas a quatro vezes ao dia, em um processo difícil e doloroso.

Portanto, o SOMA abre a possibilidade para os diabéticos simplesmente engolirem pílulas de insulina sempre que necessário. Hoje, não é possível simplesmente ingerir oralmente insulina pois o baixo PH do estômago dissolve a substância antes que ela chegue às paredes do intestino para ser absorvida.

Surpreendentemente, a nova tecnologia faz com que a pílula que reveste o medicamento somente se dissolva no próprio intestino. E aí é que aconteceria a liberação da insulina ou qualquer outro medicamento, como sistema de auto-orientação que o levaria até o ponto desejado no trato intestinal.

3 microagulhas dentro de uma cápsula

A cápsula com a tecnologia SOMA é pouco maior do que uma ervilha. E certamente parece coisa de ficção científica. Em outras palavras, sob o revestimento ficam de uma a três hastes (as substitutas das agulhas), de um milímetro de comprimento, com a insulina que é liberada no ponto desejado, com precisão total.

Imagem de um diagrama de uma cápsula SOMA com agulha.
Diagrama de uma cápsula SOMA com agulha.

Os pesquisadores ainda têm alguns problemas a resolver, como por exemplo o tamanho que devem ter o comprimido, ou cápsula ou pílula, e as hastes para medicamentos que requeiram grandes quantidades. Entretanto, os testes com seres humanos devem começar dentro de dois anos. E, se tudo der certo, a tecnologia SOMA poderá estar disponível ainda nesta década. E aí, adeus às agulhas e às pistolas de pressão!

Aliás, a saúde é um tema recorrente aqui no Vivo Guru Blog. Recomendamos especialmente um artigo sobre aplicativos para a saúde e bem-estar, outro sobre a telemedicina no Brasil. E, ainda, sobre o app Docway, que promove consultas médicas no escritório ou residência do paciente.

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