Futuro do jornalismo: para onde estão indo as notícias?

Levando em consideração o quanto jornais e revistas precisam reinventar suas estratégias, tem quem aponte para as startups como o futuro do jornalismo.

14/02/2018 às 15:51

Mesmo quem não é da área ouve há um bom tempo a afirmação: a internet mexeu no mercado da imprensa tradicional. Não vamos analisar os aspectos dessa mudança (e eles são muitos, bem mais do que apenas os dois lados clássicos de uma notícia!). A ideia aqui é abordar uma realidade: a internet possibilita acesso a informação séria sobre o que acontece no mundo por meio de várias fontes. Inclusive, através de startups específicas, que alguns apontam como o futuro do jornalismo. 

Primeiro vale lembrar o que é uma startup

Aliás, a expressão vem do inglês e seu significado original vincula-se à ideia de “começar algo”. No mundo contemporâneo, normalmente uma startup é uma empresa emergente, pequena, com elementos de inovação de base tecnológica e modelo de negócio escalonável.

Fácil entender, então, por que há tantas startups de jornalismo? Em suma, o público ávido por informação não se limita aos canais convencionais, que, por sua vez, não conseguem acompanhar a velocidade e a diversidade da internet.

Além disso, mesmo quem se informa pela chamada grande imprensa dificilmente deixa de buscar mais notícias e reportagens em pequenos veículos, quase todos startups. E ainda há outra questão: o volume imenso de profissionais de comunicação formados a cada ano pelos cursos superiores. Portanto, tem gente às pencas para produzir jornalismo em startups. Será as startups  o futuro do jornalismo?

Para o jornalista, pesquisador e professor Moreno Osório, um dos co-fundadores do Farol Jornalismo, o cerne de uma startup da área está em prestar determinado tipo de serviço informacional, atendendo a uma demanda específica. E ele dá um exemplo muito característico de nossa época e que se relaciona com as chamadas fake news: o nicho da verificação e apuração de informações em circulação no dia a dia.

Características das empresas brasileiras

O jornalista Sérgio Lüdtke, diretor da Interatores, empresa de análise e planejamento da presença em mídias digitais, foi um dos pesquisadores envolvidos na produção do relatório “Ponto de Inflexão”, lançado em julho de 2017 e que analisou 100 startups de jornalismo do Brasil, México, Colômbia e Argentina.

Aliás, ele lembra que, preliminarmente, listou mais de 200 empresas brasileiras, mas “muitas fecharam, outras abriram, a verdade é que ainda é uma atividade volátil e poucas alcançam a maturidade como negócio”. De qualquer forma, o relatório, bancado pela SembraMedia, conclui que há viabilidade econômica para iniciativas de jornalismo de nicho ou especializadas nos meios digitais na América Latina. Portanto, estaria aí o futuro do jornalismo!

Ao que se refere às startups de jornalismo brasileiras, estes são dados bastante significativos levantados pelo relatório “Ponto de Inflexão”:

  •         58% lançaram o empreendimento com menos de 10 mil dólares em investimentos iniciais;
  •         71% não têm ninguém trabalhando na geração de receita a não ser o fundador;
  •         88% tiveram suas histórias republicadas pela mídia nacional;
  •         68% tiveram suas histórias republicadas pela mídia internacional;
  •         60% ganharam prêmios;
  •         60% têm nos dispositivos móveis sua principal fonte de tráfego;
  •         48% têm mulheres fundadoras;
  •         16% reportaram mais de 200 mil dólares em receita publicitária em 2016.

Futuro do jornalismo: dicas

Já deu pra ver que quem resolve criar uma startup não investe mundos e fundos, trabalha bastante e o negócio custa a dar retorno. Mas pode dar, principalmente, seguindo alguma diretrizes.

  •         Identificar a demanda informacional e o público que o produto irá atender;
  •         Criar marca forte e trabalhar no reconhecimento da identidade e de seu significado;
  •         Investir em um plano de negócios e em sua gestão;
  •         Produzir material de forma constante e com qualidade;
  •         Prestar atenção no mercado, na concorrência, nas tendências;
  •         Apostar na perseverança e acreditar no projeto.

No entanto, é importante para quem quer arrecadar verba para o projeto: a velha “vaquinha” agora chama-se crowdfunding. Ou seja, trata-se de financiamento colaborativo online e ele tem sido muito usado pelas startups de jornalismo. Portanto, essa é outra dica valiosa para o futuro do jornalismo. 

Brasileiras com muitos leitores

As startups de jornalismo no Brasil são segmentadas por assuntos da atualidade, políticos, culturais, sociais, questões de gênero, de empoderamento étnico. Em suma, é impossível mesmo listar tudo o que existe. O certo é que, a qualquer hora, dá para ficar muito bem informado pelo smartphone. Porém, vale conferir algumas iniciativas nacionais que oferecem qualidade e que, por isso mesmo, são apontadas como bem sucedidas:

Meio

Newsletter que circula de segunda a sexta e chega de manhã cedo ao seu e-mail. A leitura demora menos de oito minutos. E todas as notícias essenciais do dia estão ali, concisas.

Metrópoles

Informações sobre política, entretenimento, gastronomia, estilo de vida, esportes e tudo o que ocorre em Brasília, no Brasil e no mundo.

Poder 360o

Notícias do poder e da política.

Nexo

Propõe apresentar interpretações equilibradas sobre os principais fatos do Brasil e do mundo.

Agência Pública

Uma agência de jornalismo investigativo e independente.

Agência Lupa

Apresenta-se como primeira agência de notícias do Brasil a checar, de forma sistemática e contínua, o grau de veracidade das informações que circulam pelo país.

Gênero e Número

Iniciativa independente de jornalismo de dados voltada ao debate de gênero.

JOTA

Informações e análises de acontecimentos jurídicos no Brasil.

Strossler

Na Europa, há um modelo diferente de startup, o da sueca Strossler. Aliás, a proposta é formar redes de editores para combater a força do que eles chamam de duopólio do Google/Facebook.

Duopólio, mas o que é isso? Duopólio é uma falha de mercado e/ou de produção. Ou seja, o monopólio multiplicado por dois. Acontece que existe muita produção “jornalística” que busca informações apenas no Google, no máximo confere algo publicado pelo FB.

Porém, isso é pouco em termos de fontes para a imprensa. Há muito mais no mundo, e a Strossler deseja contratar jornalistas/editores para buscar mais informações, por meio de entrevistas, em especial. E – ainda bem! – pagar por esse trabalho. 

Infelizmente, a empresa não atua no Brasil. Mas vale conhecer o projeto. Quem sabe serve de inspiração?

Por falar em inspiração! Se você anda pensando em abrir o próprio negócio, vale conferir cinco ideias criativas que podem ajudar a construir um caminho promissor.

E para saber mais sobre o futuro do jornalismo, continue conosco aqui no Vivo Tech. Até a próxima!

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