FaceApp: o app da moda é russo? E é mesmo perigoso?

Sim, o FaceApp é russo, mas realmente não contém mais riscos do que qualquer outro app feito no Ocidente.

02/09/2019 às 9:00

Recentemente entrou na moda a ferramenta de envelhecimento do FaceApp. Quase todo mundo postou fotos com aparência idosa. Entretanto, surgiu no Twitter um boato. Ele dizia que o app era feito por uma companhia russa, de São Petersburgo, e seu objetivo era coletar o máximo de dados do usuário para o governo de Vladimir Putin. Mas calma, fique tranquilo, não há nenhum motivo para medo e vamos lhe contar a história toda.

O FaceApp é, sim, russo, criado por Yaroslav Goncharov. Porém, esse é o único fato verdadeiro no post que gerou pânico digno de Guerra Fria. O FaceApp, distribuído pela empresa de Goncharov, que se chama Wireless, não rouba dados do usuário. Apenas armazena as imagens já modificadas. Nada mais, afinal. Sua política de privacidade não é boa, mas é similar à de praticamente todas as empresas que operam na internet.

Portanto, a Wireless e seu proprietário não trabalham para o governo russo. Seu negócio é somente ganhar dinheiro. E o FaceApp, aliás, foi construído com o uso de Inteligência Artificial de redes neurais apenas para divertimento do público.

 Goncharov, criador do aplicativo, no FaceApp: rosto normal, envelhecido e tornado feminino.
Goncharov, criador do aplicativo, no FaceApp: rosto normal, envelhecido e tornado feminino.

Boato criado por um desenvolvedor

O post do Twitter assustou muita gente, em especial nos Estados Unidos e Europa, simplesmente pela alusão à Rússia. Joshua Nozzi, um desenvolvedor norte-americano, foi quem lançou o boato.

E, todavia, um jornalista do The New York Times teve participação indireta. Ele apenas informou que a empresa era de São Petersburgo, e o resto foi fruto da imaginação das pessoas, que, nos EUA, veem a Rússia como nação inimiga, como no tempo da Guerra Fria (1947-1991). Ou seja, pensam sempre que empresas de tecnologia russas “certamente” vão roubar todos seus dados.

Desse modo, a coisa ficou tumultuada. E o barulho só diminuiu um pouco depois que uma empresa de segurança digital francesa fez uma análise profunda do FaceApp. Sua conclusão é de que ele só coleta informações básicas, como a grande maioria dos sites. A Wireless garante que os dados de seus usuários nem são armazenados na Rússia. E o desenvolvedor Joshua Nozzi, criador do boato, acabou publicando um mea culpa, dizendo que havia errado. E apagou suas postagens comprometedoras.

O aplicativo FaceApp é de origem russa e não apresenta nenhum risco à segurança dos dados
Você pode usar o FaceApp para ver a aparência envelhecida de artistas, como o britânico Daniel Craig, dos filmes 007.

Todos apps coletam dados

O FaceApp não é um aplicativo novo. Desenvolvido na Rússia, ele sai e volta aos holofotes, até mesmo viralizando. Há dois anos, por exemplo, o app virou moda por uma característica que então era novidade. Dava para transformar fotos de pessoas em caricaturas que as deixavam com etnias diferentes.

Infelizmente isso foi usado como ferramenta em ações racistas. E havia mesmo um problema da tecnologia: o FaceApp clareava a pele de pessoas negras, por um defeito de programação. O problema foi corrigido.

Qual a lição do episódio? Na verdade, não devemos ter restrições a um aplicativo por ele ser proveniente desse ou daquele país. Devemos, isso sim, ser cuidadosos com todos os apps e programas, porque decerto todos coletam seus dados.

Aliás, você fornece muitos dados voluntariamente, e nem poderia ser de outra maneira. Afinal, como um app de clima poderia fazer uma previsão de tempo sem saber onde você está? Ou como um app de monitoramento de saúde poderia funcionar sem saber seu sexo, idade, peso e altura?

 Envelhecimento pelo FaceApp: apenas diversão, nada de espionagem.
Envelhecimento pelo FaceApp: apenas diversão, nada de espionagem.

Compartilhamento com anunciantes

Um detalhe: o FaceApp se reserva o direito de compartilhar os dados coletados. Mas isso é mais ou menos a regra no setor. O Facebook, por exemplo, compartilha dados de várias maneiras, que alguns consideram abusivas. Esse compartilhamento é, contudo, feito principalmente com anunciantes, que assim podem fazer propaganda dirigida exatamente aos seus públicos-alvo.

O FaceApp, entretanto, até tem uma vantagem: qualquer usuário pode pedir e terá todos seus dados removidos. Usar dados dos clientes é uma prática universal das empresas, com o objetivo de apresentar bons resultados.

Apps da moda são perigosos?

Em conclusão, você precisa ser sempre cauteloso. E ter plena consciência de que seus dados são coletados cada vez que você usa a internet. Mais ainda: que não existem apps que não sabem nada sobre você. E que os maiores coletores (e utilizadores) de seus dados são duas companhias americanas, o Google e o Facebook.

 Imagens do FaceApp em uso num iPhone.
Imagens do FaceApp em uso num iPhone.

Quer brincar de mudar seu rosto com o FaceApp? Então baixe, sem medo, o app para Android ou para iOS.

E, em suma, se você se preocupa com segurança na internet, temos algumas dicas neste artigo. Além disso, saiba como combater aplicativos espiões.

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