Dreams: o jogo que ensina a criar seus próprios jogos

Lançado em fevereiro para PS-4, o jogo Dreams convida o usuário a soltar sua criatividade e criar suas próprias obras.

15/04/2020 às 9:00

Certamente, um videogame pode ser tão complexo quanto um quebra-cabeças gigante, e tão expansivo quanto um universo. Entretanto, seu Deus é sempre o criador do jogo, determinando as regras e os limites. E ainda a cor do céu, a força da gravidade, a índole e temperamento dos personagens. Mas, e você, gostaria de ser um criador? Pois saiba que isso agora é possível, por meio de um novo jogo chamado Dreams – a palavra em inglês para sonhos.

Dreams, para criar novos mundos

O criador de Dreams é o britânico Mark Healey. Em contraste com o trabalho dos demais desenvolvedores de jogos, há mais de dez anos ele surpreende os analistas de videogames por sua genialidade e audácia.

Com Dreams, seu criador pretende a democratização no desenvolvimento de videogames
Com Dreams, jogadores criam seu próprio universo, personagens e regras.

Para entender a diferença, vale lembrar que, por exemplo, em Mario Bros, o criador Shigery Miyamotu deu nomes a todo mundo, escolheu a cor do céu e um dia jogou luz sobre o Reino dos Cogumelos.

Mas, com Dreams, Mark Healey quer que os jogadores vá além da categoria de Miyamoto. Em princípio, por uma razão especial: Healey não deseja que os jogadores se divirtam em universos criados por ele. Sua meta é dar aos gamers o poder de criar seus próprios mundos.

Para empoderar os jogadores

E foi com esse conceito que nasceu Dreams, o mais poderoso game do gênero criado por Healey e seus sócios na empresa inglesa Media Molecule, fundada em 2006. Quem visitar a empresa, ao Sul de Londres, vai achá-la parecida com outras do mesmo setor. Porém, o trabalho é inteiramente diferente, porque é focado no empoderamento do jogador.

Desse modo, Dreams não tem narrador. Igualmente, não tem personagens. E ainda não tem um objetivo a ser alcançado ou metas. Da mesma maneira, não tem caça ao tesouro, combates, atalhos, desvios, bônus ou armas extras.

Dreams apenas oferece um conjunto de ferramentas, que o usuário vai usar para criar arte, música e novos jogos. Por si mesmo. Segundo Healey, “nós queremos que as pessoas usem o jogo para criar coisas que nós nunca poderíamos imaginar”.

Imagem do jogo Dreams.
Com Dreams, você transforma sua criatividade em jogos.

Uma tela e uma galeria

Em síntese, essa é a diferença: a criação passa do desenvolvedor para o jogador. E de tal forma que Dreams vira uma espécie de tela divina e simultaneamente uma galeria, e os jogadores misturam os dois modos.

Uma de suas ferramentas se chama Dream Shaping (formatação de sonho), e é o modo de criação pura. É assim uma coleção de artefatos, ferramentas e tutoriais, que levam o jogador até onde sua imaginação chegar. É possível criar histórias e cenários completos.

Sem conteúdo impróprio

A segunda ferramenta se chama Dream Surfing (algo como Navegação no Sonho), que tem algumas semelhanças com o YouTube. É possível explorar, jogar e até pegar emprestadas criações de outros jogadores.

Para isso é preciso seguir seus criadores de Dreams favoritos. Da mesma forma, ainda estão disponíveis criações selecionadas pelos curadores da Media Molecule. Aliás, esses têm o poder de vetar conteúdo inapropriado.

Fase beta veio em 2019

O desenvolvimento de Dreams começou em 2011. Em abril de 2019 ele foi lançado, para a plataforma PS-4, na fase de acesso antecipado, durante a qual usuários podiam jogar uma versão beta e contribuir para a forma final do jogo. O resultado foi impressionante.

Imagem da fase beta do jogo Dreams.
Fase beta gerou 70 mil contribuições de jogadores.

Em menos de três meses, nada menos que 70 mil criações foram postadas nos servidores do Dreams. E, aliás, tinha de tudo. Muita coisa experimental e bem fora da casinha. Muita cópia, com jogadores recriando cenas de seus filmes e jogos preferidos.

Outros desenvolveram jogos de tiro na primeira pessoa. Teve quem fez apenas paisagens campestres e bucólicas. E muitos fizeram animações, no estilo da Pixar, de peças musicais, gravando-as pelo microfone do PS-4.

Programar sem escrever códigos

Além disso, já perto da data de lançamento de Dreams, um usuário reuniu, em um trailer, um pedacinho de cada uma da variedade de criações até então apresentadas.

O mais importante: tudo isso foi feito apenas com as ferramentas do Dreams. Nenhum usuário precisou escrever uma linha de código de computação. Aliás, não precisava entender nada de computação. Confira neste trailer alguns dos visuais possíveis em Dreams:

Democratização do desenvolvimento de games

Com o Dreams, o que Healey pretende é a democratização do desenvolvimento de games. E ele apela a uma parte da imaginação de cada um de nós, que gostaria de criar vídeos e jogos sem ter o conhecimento técnico para isso. Em suma, ser um programador sem saber programação.

O próprio Healey teve a frustração de não saber criar jogos durante sua adolescência. Adulto, ele aprendeu a escrever códigos e alimentou o desejo de tornar mais fácil para qualquer um construir jogos.

Ele sempre foi um prodígio. Sem dinheiro, foi ter aulas de computação em um curso público. Entretanto, já de início, o professor admitiu que sabia menos que ele. O mesmo professor encaminhou-o para seu primeiro trabalho. Aí ele começou a criar jogos, inclusive um projeto pessoal chamado Rag Doll Kung Fu. Um detalhe: esse jogo já permitia ao usuário criar seus personagens.

11 milhões de novos níveis

Depois veio a Media Molecule, que em 2008 lançou o jogo LittleBigPlanet, no qual o personagem construía coisas a partir de materiais do dia a dia, como paredes de papel, arbustos de lã e escadas de clipes de papel. Além disso, os usuários podiam desenvolver e compartilhar novos níveis. O jogo vendeu milhões de cópias. Aliás, nada menos que 11 milhões de novos níveis foram adicionados pelos próprios jogadores.

Dreams é assim a consolidação e o aperfeiçoamento das experiências prévias de Healey. O jogo foi lançado em fevereiro para PS-4, e já é considerado um dos mais criativos da história. Afinal, as possibilidades são infinitas. Quer comprar? Então, veja onde e as alternativas de preço nesta página do Google Shopping.

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