Aprenda como identificar fake news e a denunciar conteúdos duvidosos

Antes de consumir e compartilhar qualquer informação, desconfie!

11/04/2018 às 18:22

Desde a popularização do termo por Donald Trump, lá nas eleições de 2016, as chamadas fake news tem sido uma preocupação recorrente. Inclusive, plataformas e grupos específicos relacionados ao tema procuram combater o que chamam de desinformação, ensinando como identificar fake news e denunciar conteúdos duvidosos.

Foto de Donald Trump, ilustrando texto sobre como identificar fake news

Ainda candidato a presidência dos EUA, Trump popularizou o termo fake news / Foto: Shutterstock

No Brasil, a Agência Lupa, primeira organização especializada no combate de notícias falsas, é apontada como a principal fonte de informação sobre o assunto. Membro verificado da International Fact-Checking Network (IFCN), a Lupa faz parte de um grupo composto por plataformas de checagem que se reúne em torno do Poynter Institute (EUA) e se encontra anualmente para debater os rumos e os desafios do jornalismo.

Inclusive, a Lupa – que ainda administra a plataforma Fake ou News em parceria com o Canal Futura e apoio da Google  – procura rever o conceito fake news, por considerar que notícia é sinônimo de verdade. Dessa forma, uma notícia não pode ser falsa.

A partir dessa premissa, a Lupa procura então substituir o termo fake news por “desinformação”. Agora, independente da forma correta de se referir aos conteúdos mentirosos, o importante mesmo é saber reconhecer uma informação antes de compartilhá-la.

Mas você sabe como identificar fake news, ou melhor, uma desinformação?

A regra básica para identificar uma desinformação é desconfiar. Desconfiar sempre! Em tempos de transformação digital, em que qualquer um pode escrever um texto, manipular um vídeo ou uma imagem, todo tipo de conteúdo tem espaço na rede.

Desta forma, esse universo da internet – livre e democrático – permite que você tenha acesso irrestrito à informação, o que é muito bom, desde que você tenha bom senso. Afinal, é exatamente você o principal filtro do que consome.

Nenhum algoritmo tem o poder que você tem, o poder de não clicar para abrir uma publicação com aquele tom de sensacionalismo. O poder de não compartilhar, não comentar e, sobretudo, o poder de denunciar.

Dito isso, vale destacar outros pontos importantes para identificar uma desinformação ou fake news. Ao clicar em qualquer link, preste atenção nos seguintes pontos!

Verifique a data

Conteúdos com data ultrapassada e, sobretudo, sem data, são duvidosos. Certifique-se de que essa publicação é de fato relevante.

Desconfie de expressões de exagero

Coloque em cheque expressões de exagero, como “o melhor candidato”, “a maior obra” e por aí vai. Esse tipo de colocação é muito usado por veículos sensacionalistas apenas para atrair cliques.

Confira o endereço

O primeiro item a ser checado em um site é o endereço. A grafia está correta, de acordo com a marca original? Desconfie se estiver errada ou se apresentar termos parecidos. Também tome cuidado com encurtadores de links, que podem direcioná-lo a páginas falsas. Lembre-se também de verificar se a página é segura, com URL em https.

Busque referências do site

Antes de interagir com um site, pesquise a reputação dessa “marca” no Google e até mesmo em portais de reclamação como Reclame Aqui. Investigue também o CNPJ da empresa na página da e no Whois. Por fim, verifique se o link não está na lista de sites a serem evitados do Procon-SP.

Suspeite do layout e das funcionalidades

O próprio site também traz informações que dizem muito sobre sua credibilidade. O layout é bem construído ou parece amador? A linguagem é clara e correta ou contém erros de grafia e gramaticais? Informações de contato e canais de dúvidas e reclamações estão disponíveis na página? Passe por esses questionamentos e tire suas conclusões.

Observe o nome dos autores e fontes

Em sites de notícias, observe a fonte e a autoria dos textos. Em portais sérios, sempre há canais de contato com a redação. Além disso, uma busca pelos autores das matérias pode indicar se eles são jornalistas ou nomes inventados.

Cheque o banco de dados da Agência Lupa

A Lupa é a primeira agência de notícias do Brasil a checar, de forma sistemática e contínua, o grau de veracidade das informações que circulam pelo país. Ao se deparar com declarações de governantes, por exemplo, você pode consultar frases etiquetadas pela Lupa. Caso a informação não tenha sido checada pela agência, e você continue acreditando ser falsa, ainda pode fazer uma sugestão de checagem.

Denunciar também é parte importante do processo

Agora que você já sabe como identificar uma fake news – ou desinformação -, vale lembrar a importância de denunciar todo tipo de conteúdo mentiroso. Uma medida simples e eficaz que evita a disseminação de inverdades.

Páginas do Facebook marcadas como falsas não podem anunciar, por exemplo. A medida da rede social combate a propagação de inverdades, pois esses conteúdos denunciados automaticamente são bloqueados pelos algoritmos, que impedem a entrega do mesmo para os usuários da plataforma.

Como denunciar uma fake news no Facebook?

No Facebook tem duas formas bem simples de fazer denúncia. Acima de toda publicação, do lado direito, fica um botão com três pontinhos. Ao clicar nesse botão duas opções de janela podem abrir.

Você verá uma janela com a opção “Denunciar publicação”. Ao clicar, uma tela questionando “O que está acontecendo?”. Escolha o motivo e clique em “Continuar”.

Print da tela de denúncia de fake news do Facebook

Print da tela de como fazer uma denúncia de fake news pelo Facebook

Ou você verá uma janela com a opção “Dar Feedback sobre essa publicação”. Ao clicar, uma tela dizendo “Usamos seus comentários para no ajudar a saber quando algo não está certo”. Selecione um dos botões e clique em “Enviar”.

Print de tela do Facebook de como denunciar fake news

Print de tela do Facebook de como denunciar fake news

Em outras redes sociais como Instagram e Twitter, os procedimentos para denunciar são bastante semelhantes. Então se você identificar algum conteúdo mentiroso em uma dessas plataformas, não pense duas vezes: denuncie também.

Você ainda pode denunciar “desinformações” pelo site da Agência Lupa

Como você já sabe a Agência Lupa etiqueta frases e declarações. Então ao se deparar com uma frase duvidosa, você pode contribuir com esse banco de dados.

As suas sugestões para a Lupa não devem ser enviadas por meio de redes sociais nem por email. A agência disponibiliza um formulário online de checagem. Não se preocupe, é bem fácil e rápido de preencher. Feito isso, a equipe Lupa vai analisar as informações para etiquetar o conteúdo conforme o fact-checking.

A grande fake news chamada “Guerra dos Mundos”

Acreditar em conteúdos mentirosos ou inventados, pelo motivo que for não é algo novo. Pode-se dizer que desde sempre existem fakes news. A proporção apenas se tornou muito maior, devido ao gigantesco fluxo de informação na internet associado à rotina cada vez mais corrida. Na pressa do dia a dia, qualquer um pode acabar refém de uma fake news.

Exatamente por isso, prestar atenção ao consumir e compartilhar conteúdos é de extrema importância. Mesmo que você receba o link de um parente ou amigo, desconfie!

Foto do jornal The Boston Daily Globe noticiando a Guerra do Mundos / Foto: reprodução

Na época, Guerra dos Mundos chegou a ser notícia até por grandes veículos internacionais

Em 1938, a “Guerra dos Mundos” marcou uma geração, após a propagação de uma história contada por um programa da rádio CBS (Columbia Broadcasting System). A emissora divulgou que alienígenas estavam invadindo a Terra, mas tudo não passava de uma obra de ficção. Porém a fake news correu como verdade, e uma onda de pânico foi propagada em tal dimensão que muitas pessoas até cometeram suicídio.

A “Guerra dos Mundos” está entre as fake news mais tradicional da história. Um capítulo que com certeza você não quer ver se repetindo por aí. E por mais absurdo que possa parecer, vale a lembrança para frisar a importância de não se propagar fake news por aí. Não se pode esquecer que a manipulação em massa também voltou a ser discutida, principalmente, após o vazamentos dos dados do Facebook. Ou seja, mais do que nunca, o momento pede cuidado com os fatos que se compartilha por aí.

Em tempo: ao relacionar fake news com política, lembre-se que, além de se preocupar em não consumir “desinformação” pela web, é importante ter conhecimento. Para isso tem até aplicativos focados no debate político. Continue navegando aqui no Vivo Tech para conhecer esses apps.

Gostou da notícia?

Veja mais sobre
Agência Lupafake news
campo obrigátório

Cadastro efetuado com sucesso!

Em breve você receberá o melhor da tecnologia no seu email