Como a tecnologia ajuda a reduzir o uso de sacolas plásticas

Elas são úteis em nosso dia a dia, mas a sustentabilidade do planeta exige que sua produção diminua

03/07/2018 às 11:06

O plástico faz parte do dia a dia do mundo inteiro. Aliás, o material pode ser visto em embalagens, brinquedos, peças industriais, revestimentos, móveis, objetos de decoração e em muitos outros objetos e situações. É uma verdadeira mão na roda para diferentes coisa, nós sabemos. Mas, ao mesmo tempo, pode ser um verdadeiro vilão. O motivo é simples: pagamos um preço alto para tê-los. Plásticos, feitos à base de petróleo, não são biodegradáveis e, consequentemente, não se dissolvem na natureza. 

Dessa forma, ficam séculos ao ar livre, terra ou água sem sofrer qualquer modificação, contaminando o ambiente e os animais. O resultado é um mundo abarrotado de lixo plástico. 

Plástico é um dos materiais mais caros para a reciclagem

A preocupação é tão grande que existe até o Dia Internacional Sem Sacos de Plástico. A data é comemorada em 3 de julho e alerta para a necessidade de reduzirmos o hábito das sacolinhas. Uma ótima ideia, mas obviamente precisamos de mais saídas para o problema. Vamos ver aqui como a tecnologia está empenhada em ajudar.

Descoberta de novo polímero

Os plásticos começaram a ser comercializados em escala industrial em 1936. A gente já viu que eles são muitíssimo resistentes. Por isso os utilizamos tanto.

Produzir um substituto reciclável é fundamental, pois atualmente só cerca de 5% dos plásticos que desenvolvemos são reciclados. Dessa forma, a produção é gigantesca: até o ano de 2050 serão 500 milhões de toneladas métricas anualmente.

Cientistas têm se dedicado a achar substitutos biodegradáveis para o plástico. E agora há boas novas a serem comemoradas! Pesquisadores da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, descobriram um polímero resistente, durável, leve e similar.

Polímero descoberto na Universidade do Colorado

O polímero é composto por moléculas que podem ser quimicamente recicladas e transformadas novamente em plásticos. “Em princípio, os polímeros podem ser reutilizados infinitamente”, afirma o líder da equipe de cientistas, Eugene Chen, em artigo do site Organic News Brasil.

Reaproveitamento infinito

O novo composto possibilita a produção de muitas coisas: plásticos, cerâmicas e borrachas, entre outros. Eles resultarão em materiais que vão de sacolas para embalar a coletes à prova de bala. As fórmulas iniciais somente podiam ser produzidas em ambientes muito frios e tinham baixa resistência ao calor. Todos esses problemas foram superados.

Chen explica que os polímeros têm peso molecular elevado, estabilidade térmica e cristalinidade. Além disso, possuem propriedades mecânicas com comportamento semelhante ao plástico. Mas o mais inovador reside em seu ciclo potencialmente infinito de reaproveitamento, conhecido como o moderno conceito da economia circular.

Plásticos + lixo orgânico

Existem outros avanços acontecendo. A startup norte-americana Full Cycle Bioplastics une resíduos plásticos a lixo orgânico para gerar combustíveis que substituam derivados de petróleo. A produção dos combustíveis acontece de forma natural, pela ação de bactérias.

A mistura é excelente porque os resíduos orgânicos estão entre os maiores geradores de efeito estufa criados pelo homem. Eliminá-los juntamente com plásticos é tudo de bom.

  • Para lembrar: o efeito estufa ocorre quando o calor da Terra é absorvido por gases da atmosfera. Como consequência, parte do calor irradiado volta para a superfície, não sendo libertado para o espaço. O efeito estufa, dentro de determinada faixa, é essencial pois, sem ele, a vida não poderia existir. Porém, várias atividades humanas vêm intensificando o efeito estufa, produzindo o fenômeno do aquecimento global.

Voltando ao produto da Full Cycle Bioplastics: ele também pode ser transformado em vários tipos de plásticos, com vantagens. É solúvel em água marinha, sem poluir, após o término de seu ciclo de vida. A Full Cycle Bioplastics também busca produtos que gerem economia circular.

Ilha feita de plásticos

Praticamente todo o plástico que já foi produzido ainda existe. E 30% de tudo isso acaba dentro nos oceanos. Uma pequena parte é engolida por peixes, outra é engolida por aves. E sempre com efeitos fatais sobre os animais. Vale ver este vídeo feito em uma pequena ilha no Oceano Pacífico:

Atualmente estamos jogando 8 milhões de toneladas de plásticos nos oceanos a cada ano. Neste ritmo, em 2050 nossos mares terão mais plásticos do que peixes. Já existe há mais de 40 anos uma ilha gigantesca de plásticos no Pacífico, entre a Califórnia e o Havaí. Como se fosse uma sopa flutuante. De acordo com as últimas medições, ela tem uma área de 1,6 milhão de quilômetros quadrados. Ou seja: três vezes a área do estado de Minas Gerais ou de um país como a Espanha

Veja este vídeo (em inglês), da The Ocean Cleanup, dedicada a resolver o problema desta ilha, também chamada de “mancha”:

The Ocean Cleanup trabalha para tentar tirar dos mares 5 trilhões de sacos plásticos e outros objetos do mesmo material. Mas, com uma ilha de dimensões tão grandes, a tarefa é demasiada para apenas uma entidade.

A organização é otimista: garante que, com investimentos nas ações de limpeza, pode eliminar 50% da ilha até 2023. Mas, enquanto isso, nós, seres humanos, continuamos poluindo. Já foi descoberta uma nova ilha de plástico. Desta vez no Mar do Caribe, flutuando ao largo de Honduras. Veja no vídeo:

E os canudinhos de plásticos?

Dentro da questão maior da produção de plástico, chama a atenção o detalhe dos canudinhos plásticos. Eles representam 4% de todo o lixo plástico do mundo. Por serem feitos de polipropileno e poliestireno, não são biodegradáveis.

Cada canudinho pode levar até mil anos para se decompor no meio ambiente! A pergunta que tem se repetido é: precisamos de canudinhos? O uso de cada um dura em média 4 minutos apenas. Para esse pequeno intervalo de tempo, consumimos petróleo, mais a energia utilizada na indústria que o produz. E geramos poluição duradoura para o meio ambiente. O petróleo é uma fonte não renovável, fontes de energia elétrica também podem ser não renováveis.

Os números impressionam! O volume dos canudinhos usados pelos brasileiros em um ano equivale a um cubo de 165 metros de lado. Imagine esta dimensão: o cubo seria 50 metros mais alto que o edifício Copan, em São Paulo. E se empilhássemos os canudos consumidos pelos brasileiros em um ano em um muro de 2,10 metros de altura? A resposta: seria possível dar uma volta completa na Terra, uma linha de mais de 45 mil quilômetros.

Muito presentes nas praias, os canudinhos também são responsáveis pela poluição bem pouco saudável dos microplásticos. Eles estão presentes na água do mar e na potável, em animais, no sal e nos alimentos que consumimos

Você pode ajudar

Como combater essa poluição? Acredite: é fácil dar nossa contribuição pela sustentabilidade. Você não precisa de canudinho, a não ser por uma rara questão de saúde. Mas, se gosta muito, sempre pode usar canudinhos de papel ou de palha, ambos disponíveis no mercado. Diga não aos canudinhos de plástico e também aos de silicone, que igualmente não são recicláveis.

Sustentabilidade é um dos grandes desafios da humanidade. E ela passa obrigatoriamente por uma solução para o problema da poluição por plásticos e microplásticos.

Quer aprender mais? Então, leia Consumo consciente e alimentação sustentável na palma da mão!

 

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