Camila Achutti e a transformação digital: está a caminho?

Educação e empoderamento das mulheres são bandeiras da nova personalidade brasileira da tecnologia.

18/05/2018 às 17:00

Camila Achutti tem apenas 26 anos, mas já construiu uma importante história no processo de transformação digital no Brasil. Suas ideias, pautadas pelas bandeiras da educação e do feminismo, estão no foco dos interessados em tecnologia.

Portanto, vale a pena conhecê-la! Camila é mestre em Computação pela USP (Universidade de São Paulo) e fez estágio no Google, na Califórnia. Trabalhou também como engenheira de software na Iridescent Learning, ONG  norte-americana focada no ensino à distância. Aliás, ela fundou, ao lado do sócio Felipe Barreiros, as startups: a Ponte21 e a Mastertech.

Quem é Camila Achutti?

Camila Achutti é referência em empreendedorismo e tecnologia.

8 semanas para criar um produto

Com três anos de existência, a Ponte 21 é uma consultoria que se propõe a criar um novo produto para os clientes em oito semanas. Atua com o conceito de MVP (Minimun Viable Product), na sigla em inglês. Rapidamente conquistou clientes como Itaú, Renault, Intel e Leroy Merlin, entre outros. Acesse o site para ver como funciona o processo da Ponte21. Em suma, acompanhe também alguns casos de sucesso da empresa para seus clientes.

Ensino imersivo e acelerado

Já a Mastertech tem pouco mais de dois anos de vida e é uma plataforma de educação de habilidades para o século 21. Ensina programação web, programação de app, Internet das Coisas, Inteligência Artificial, impressão 3D. Além disso, gestão ágil de projetos e design thinking. No Brasil, é pioneira em bootcamp. Ou seja, sistema norte-americano para programas de ensino imersivo.

Os bootcamps atendem necessidades de profissionais que querem mudar de carreira ou entrar no mercado de forma mais rápida. Comuns na área de tecnologia, oferecem ensino hands-on (“com a mão na massa”, numa tradução livre) para formação acelerada.

Todas as habilidades não essenciais à atuação ficam de fora do ensino, que é intensivo e exige muita força de vontade. A Mastertech também oferece workshops e cursos imersivos de menor duração, sempre em sua sede na avenida Paulista, em São Paulo. Veja se algum curso é o que você procura.

Educação para a programação

Em entrevista à revista Exame, Camila Achutti fala de sua preocupação com o ensino de programação e dos processos digitais:

– Uma coisa que me dá medo é a falta de letramento digital. A gente voltou para a época dos escribas, só que agora eles são digitais. E eu me sinto um pouco escriba. Existe uma parcela seleta da população que entende de tecnologia, que sabe usufruir e tira proveito disso. Enquanto isso, a massa só consume e aceita, e seus dados são roubados, as contas invadidas, as pessoas nem sabem o que estão fazendo. É muito perigoso o nosso momento, em que poucos entendem tudo e o restante só consome.

Ela vai além: “Se há algum tempo, inglês era diferencial e abria caminho, programação agora é um pouco isso. Não acho que programação tem de ser um fim, mas deve ser um meio. Assim como se ensina a ler e a escrever, sem esperar que todos virem jornalistas, é preciso ensinar programação básica, independentemente se o aluno será programador. É o único jeito de as pessoas entenderem como o mundo está se organizando”.

Camila Achutti: mulheres precisam perder o medo

Camila também se preocupa muito com a participação das mulheres como empreendedoras na área de tecnologia: “Vou a eventos de fundadores e só tem homem. Ser empreendedora em tecnologia é não se reconhecer no entorno”.

Para ela, o mercado está estruturado para os homens e as mulheres que querem romper o bloqueio precisam perder o medo: “Se manchou uma coisa em casa, a gente sempre dá um jeito. Quando o assunto é tecnologia não, a mulher diz: ‘ah, mas eu não sou dessa área’. Peraí, você mexe em seu celular como ninguém, manda e-mail, troca mensagem com as suas amigas, quem falou que você não é de tecnologia? Por que está deixando que a sociedade te imponha esse papel se você nem tentou?”

Quem é Camila Achutti?

Mulheres na Computação é o canal que Camila criou para falar sobre o tema.

Como empreendedora, Camila Achutti diz que sua dificuldade foi estar sozinha: vai a um evento e é a única palestrante do sexo feminino, olha revistas de tecnologia e nas capas só tem fotos de homens. É a mesma sensação que teve em 2010, na faculdade, quando digitou no Google “mulheres na computação” e não veio resposta. Criou, então, o blog Mulheres na Computação, que mantém até hoje. Sua ideia foi especial: “Da próxima vez que uma mulher digitar o tema no Google haverá conteúdo para ela.”

“Mudando o mundo, uma garota por vez”

Se você é mulher e gosta de tecnologia, o blog de Camila é um espaço que precisa conhecer.  Veja só o slogan e a definição: “#SERMULHEREMTECH. O lugar ideal para quem tem motivação para aprender e compartilhar experiências pautadas pela paixão e alegria ao assumir desafios. Mudando o mundo, uma garota por vez.” Vale a pena ler o artigo  que Camila  aborda a triste realidade dos comentários ofensivos tão comuns na internet.

Em outro texto, Camila Achutti fala das mulheres Alfa, mulheres adaptáveis, independentes e multitarefas do século 21. “Vivemos grandes mudanças culturais em relação à percepção sobre as mulheres. Não são poucos os lugares do mundo onde se fala que estamos diante da ‘revolução das mulheres’. Isso é possível graças às redes sociais e à tecnologia, que se tornou uma grande ferramenta aliada”.

Também é bem útil e informativa a palestra que Camila fez no TedX (palestras no estilo TED organizadas de forma independente) da USP, em 2017. O tema é a síntese do trabalho, dos interesses, das crenças e das preocupações dessa brasileira que é líder indiscutível nos processos de transformação digital no Brasil: Inovação, Tecnologia e as Mulheres:

Gostou de conhecer a Camila? É sempre bom aprender sobre gente que pode nos inspirar para nosso aperfeiçoamento profissional. E este também é o caso de Martha Gabriel, que você vai conhecer nesta matéria: Conheça Martha Gabriel, a voz brasileira da transformação digital.

E você, curte tecnologia, assim como a Camila? Então leia uma matéria especial sobre oito apps e programas para aprender mais sobre programação.

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