Busca Facebook está menos poderosa: entenda a polêmica

A própria empresa bloqueou ferramentas da busca Facebook, muito usada para resolver crimes contra os direitos humanos.

24/07/2019 às 9:00

O Facebook desativou, em 2019, ferramentas que integravam seu sistema de Graph Search (ou busca em diagrama), que estavam à disposição dos usuários há anos. A empresa de Mark Zuckerberg explicou que a redução da busca Facebook foi uma resposta às acusações que recebe por invasão de privacidade. Mas a decisão desagradou muitas pessoas, pois as ferramentas eram usadas em investigações de crimes contra os direitos humanos.

O que é Graph Search?

É a capacidade que a busca Facebook tem, usando um algoritmo, de cruzar uma quantidade enorme de informações e, dessa maneira, oferecer respostas a muitas perguntas.

Busca Facebook era muito usada para resolver crimes contra os direitos humanos.
Busca Facebook, que integra a Graph Search, teve potencial reduzido, causando muita polêmica.

Você pode, por exemplo, teclar na barra de pesquisa do Facebook “Meus amigos torcedores do Flamengo”. Receberá uma primeira resposta, bem ampla, e a partir daí poderá refinar a busca. Isso é feito por filtros, como o de pessoas a pesquisar, o tipo de publicação, os grupos e as datas.  E os resultados podem vir em vídeos ou fotos, à sua escolha.

Com seus bilhões de usuários, a quantidade de informação acumulada pela rede social é gigantesca. E o Graph Search da busca Facebook, em suma, ajuda a garimpar as informações.

Busca Facebook teve funções desativadas.
Alguns dos filtros para refinar pesquisas no Facebook.

Na prática, usando o Graph Search, a busca Facebook pode obter respostas sobre questões que dificilmente seriam respondidas de outra maneira. Por exemplo, “fãs dos Rolling Stones na cidade de São Paulo”. Entretanto, todas as respostas são pinçadas pelo algoritmo exclusivamente do conteúdo público postado pelos usuários.

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Busca Facebook desativada

No entanto, no final do primeiro semestre, algumas funções foram desativadas. Entre elas, a busca Facebook de vídeos em que determinado usuário foi marcado. E isso causa muita preocupação entre defensores dos direitos humanos. Por quê? Exatamente porque essa ferramenta era sobretudo muito usada para caçar criminosos de guerra, agressores sexuais ou assediadores de crianças.

Alexa Koenig, diretora do Centro de Direitos Humanos da Universidade da Califórnia, conta um caso específico, o do comandante militar líbio Mahmoud Mustafa Busayf al-Werfalli. Em 2017, a Corte Criminal Internacional em Haia, Holanda, emitiu um mandado de prisão contra ele por sua participação na execução de 33 pessoas em Benghazi, na Líbia.

O núcleo das evidências contra Mahmoud era uma série de vídeos descobertas com o uso da busca Facebook. E essa foi, portanto, a primeira vez que a corte emitiu um mandado baseado em provas obtidas em redes sociais. E isso foi descoberto da seguinte maneira: Mahmoud não postou vídeos de seus crimes, mas outras pessoas postaram e o marcaram neles.

Decisão sem anúncio oficial

A decisão do Facebook, não anunciada publicamente, mas constatada pelos usuários, gera dessa forma a preocupação que investigações profundas e necessárias como a de Mahmoud sejam prejudicadas. Ativistas dos direitos humanos dizem que a medida é uma reação da rede social contra acusações de invasão de privacidade. No entanto, de maneira equivocada, uma vez que o Graph Search usa apenas informações públicas.

Busca Facebook ficou menos potente.
O Graph Search pode passar a ser menos útil.

De acordo com Alexa Koenig, a medida pode ser um desastre para os direitos humanos. “Isso torna ainda mais difícil para defensores dos direitos humanos e investigadores criminais fazer buscas no Facebook. E bem quando reconhecemos a utilidade das informações compartilhadas documentando abusos. Portanto, precisamos da busca Facebook, tornando o acesso à informação mais fácil, não mais difícil”, argumentou.

Zuckerberg fez o lançamento

O Facebook admitiu para a imprensa norte-americana que “pausou” algumas funcionalidades do Graph Search. Anteriormente, em 2017, quando a empresa sofria críticas após o escândalo da empresa Cambridge Analytica, o Facebook já havia desativado ferramentas de busca na plataforma.

De acordo com especialistas, o Facebook deixa cada vez mais difícil descobrir o que acontece em sua plataforma. No entanto, quando o Graph Search foi lançado, em 2013, Mark Zuckerberg fez questão de salientar sua importância.

Busca Facebook ficou menos potente.
Zuckerberg lançou pessoalmente o Graph Search.

Aliás, até então a rede social era um zero como ferramenta de pesquisa. No dia do lançamento o próprio proprietário da empresa se prontificou inesperadamente a ensinar os jornalistas a como usar a nova busca Facebook.

A partir de então, a busca Facebook se tornou uma importante ferramenta de trabalho. Em suma, a rede social passou a ser usada para revelar casos de abuso sexual, crimes de guerra, campanhas de difamação, exploração infantil, entre outros crimes.

Mudança já causa problemas

Pesquisadores de entidades como a Anistia Internacional afirmam que a mudança já atrapalha suas investigações. Sam Dubberley, da Anistia, diz que a ONG precisa da busca Facebook para saber o que acontece em países nos quais não pode entrar. Ele classifica a decisão do Facebook como um movimento profundamente preocupante.

Aliás, você quer saber mais sobre o Facebook? Então, aproveite para conhecer seu irmão Lite, mais levinho. Ou ainda para aprender como não receber e-mails do Face. Aproveite!

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