Bug: a presença permanente na história da tecnologia digital

Problema conhecido como bug pode causar prejuízos, confusões e até vítimas fatais. E houve um recente, com a Apple

06/07/2020 às 9:00

Algo diferente foi registrado há pouco com alguns iPhones, iPads e Macs. Em síntese, os aparelhos começaram a se autodesligar quando recebiam notificações específicas. O problema foi, enfim, resolvido, mas despertou a curiosidade: o que é mesmo um bug e por que acontece?

Um bug é, por definição, uma falha minúscula em hardware ou software, que acaba levando a consequências mais ou menos graves.

Bandeira italiana e idioma Sindhi

O bug com dispositivos da Apple foi um dos mais recentes da história da informática, no caso um erro em digitação do software. Uma das digitações incluía, de modo equivocado, um emoji com a bandeira da Itália. Igualmente, o problema ocorria com uma combinação de caracteres na língua Sindhi, do Paquistão. Mas esse e outros bugs foram resolvidos rapidamente pela Apple.

Bug, porém, é coisa séria e comum na história da computação. Literalmente, a palavra vem do inglês e significa um inseto com carapaça, em suma, um cascudinho. Há relatos que o termo para as falhas surgiu em 1947, quando um computador da Marinha dos EUA mostrou defeito e, ao se buscar a causa, foi encontrado um inseto preso entre os fios.

O bug da Mariner

O primeiro grande bug, decerto, foi detectado em 1962. Assim sendo, um foguete da Nasa que transportava a cápsula Mariner para uma longa viagem até Vênus, teve que ser destruído logo após o lançamento. É que ele, de fato, se desviou violentamente do curso porque um programador esqueceu de digitar um hífen.

Imagem do foguete que transportava a sonda Mariner teve que ser destruído por causa de um bug.
Foguete que transportava a sonda Mariner teve que ser destruído por causa de um bug.

Contudo, algo parecido aconteceu novamente anos depois, em 1996. Um foguete francês do modelo Ariane 5, que carregava quatro satélites científicos, teve que ser destruído logo após o lançamento. De maneira idêntica, houve um bug na matemática do software.

O centro cívico que desmoronou

Por outro lado, em 1978, o centro cívico da cidade norte-americana de Hartford desmoronou durante uma nevasca. Surpreendentemente, o programador que calculou a força da estrutura esqueceu de considerar o peso da neve. O prejuízo afinal foi enorme, porém sem vítimas porque o desabamento ocorreu na madrugada.

Imagem do centro cívico de Hartford, ao qual o programador esqueceu do peso da neve sobre o telhado.
No centro cívico de Hartford o programador esqueceu do peso da neve sobre o telhado.

Ataque de mísseis

Durante a Guerra Fria (1945-1991), já que bugs surgiam no Ocidente, não seria diferente na antiga União Soviética. Em 1983, um bug no sistema de alerta aéreo da URSS fez com que reflexos solares fossem confundidos com cinco mísseis norte-americanos em direção a Moscou.

Por sorte, o oficial de plantão, que deveria ordenar um contra-ataque com mísseis contra os Estados Unidos, considerou que, de fato, se houvesse um ataque seria com mais de cinco mísseis. E, portanto, tomou a melhor atitude. Em síntese, não fez nada, um alívio para o mundo todo.

A radiação assassina

Porém, em 1985, houve realmente vítimas. Uma máquina de radioterapia canadense, chamada Therac-25, irradiou afinal doses letais que mataram três pacientes e deixaram outros três gravemente feridos. O técnico que programava o tamanho da dose de radiação inseriu dados equivocados e, dessa maneira, foram emitidos feixes de luz de alta potência.

Aliás, em 2000, houve caso semelhante com o software de radiação da empresa Multidale, que por vezes enviava o dobro da dose desejada, fazendo com que oito pessoas morressem nos EUA.

O bug dos mísseis Patriot

Da mesma forma houve vítimas fatais em 1991, durante a primeira Guerra do Golfo por causa de bug. Assim, 28 soldados norte-americanos foram mortos e outros 100 ficaram feridos por uma falha no sistema de mísseis chamado Patriot.

Por um erro de arredondamento no software, os mísseis Patriot, ao invés de atacarem um míssil Scud que vinha do Iraque, explodiram sobre um acampamento de soldados norte-americanos.

Imagem do míssil Patriot.
Míssil Patriot: fogo amigo inesperadamente sobre soldados norte-americanos.

Até na ficção científica

Um bug muito famoso vem da ficção científica. É a história da Skynet, uma rede mundial de computadores que, por defeito, afinal se descontrola e inicia uma guerra nuclear.

Como resultado, em 29 de agosto de 1997 acontece o dia do juízo final. Ou seja, toda a população da Terra é exterminada por erros de software. A Skynet é uma poderosa corporação fictícia, que controla toda a internet do planeta nos filmes da série O exterminador do futuro.

Passaportes inúteis

Apesar dos incômodos para muita gente, a história que relatamos a seguir não teve vítimas fatais. Em 1999, a Grã-Bretanha lançou um novo sistema de passaportes sem testá-lo apropriadamente.

Em suma, os passaportes simplesmente não eram reconhecidos, não funcionavam. Nada menos que 500 mil britânicos tentaram viajar para fora do país e não conseguiram.

O famoso bug do milênio

O mais famoso aconteceu há 20 anos. Ele ocorreu porque, em princípio, a maior parte dos programas de computadores identificava o ano com apenas dois dígitos. Dessa maneira, 1999 virou apenas 99. E o ano 2000 seria apenas 00.

Imagem de um computador com a escrita Bug do Milênio.
Bug do milênio deixou todo o planeta com medo em 1999.

Desse modo, com números de ano que os computadores não entendiam, eles simplesmente se desligavam. Nada menos que US$ 500 bilhões (cerca de R$ 2,8 trilhões) foram investidos para consertar os inúmeros programas de computador com bug.

Depois de incontáveis horas de trabalho por parte de programadores, o dia 1º de janeiro de 2000 chegou, enfim, recheado de temores de que todos os sistemas de computadores iriam cair.

Mas, pelo contrário, o trabalho foi bem feito e praticamente nenhum computador teve problemas.

Bug no FBI

Da mesma forma, nem o FBI escapou. Em 2005, depois de quatro anos de trabalho e mais de R$ 500 milhões de gastos, o FBI surpreendentemente desistiu de seu novo programa de arquivo central de informações. Motivo: um número incontável de bugs que tornava todo o sistema inútil.

Enfim, os hardwares e softwares movem nossas vidas. E os bugs, como se viu, podem causar grandes estragos.

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