Android: Google começa a cobrar por apps na Europa

Medida se deve à exigência da União Europeia, que identificou abusos da empresa na cessão do Android a fabricantes.

14/11/2018 às 17:00

A confusão começou em julho. A Comissão Europeia, braço executivo da União Europeia, decidiu que o Google era desleal com fabricantes de celulares Android. E aplicou à norte-americana de tecnologia multa gigantesca: 4,3 bilhões de euros (R$ 18,1 bilhões). O valor foi depositado em juízo pelo Google.

Diante disso, a marca não ficou passiva e passou a cobrar dos fabricantes os apps do Google com o sistema Android em seus aparelhos. Claro que isso impacta no preço final dos dispositivos e no valor de mercado. Mas, é uma diferença pequena e, por enquanto, só na Europa, não há nada previsto para o Brasil.

Usuário de Android agora pagam para usar apps do Google.

Explicamos para você a mudança. Certamente a multa aplicada foi imensa, tanto que o Google resolveu ceder à União Europeia para evitar novas sanções. A gigante da tecnologia também recorreu da decisão.

No entanto, enquanto a nova decisão não sai, os aplicativos do Google, como buscador, Google Maps, Chrome, Maps, GMail e vários outros, passam a ser cobrados dos fabricantes de smarthphones e tablets que optam pelo Android. Os apps eram gratuitos antes da modificação. A decisão do Google aplica-se somente aos 31 países membros da União Europeia. Porém, não é improvável que ela se estenda ao resto do mundo.

Fim ao que era gratuito

Entretanto, qual o motivo de cobrar por algo que antes era grátis? Em princípio, questões de livre concorrência. O fabricante de celulares recebia o Android de graça e com ele todos os apps do Google. Uma beleza, e ótimo também para o usuário. Contudo, havia uma cláusula que atrapalhava a vida dos concorrentes. É que celulares com Android e apps do Google pré-instalados não poderiam ter também pré-instalados apps concorrentes, como o navegador Edge ou o buscador Bing.

De acordo com a Comissão Europeia, o Google não pode mais agir assim. E daí veio a necessidade do Google de cobrar pelos seus apps dos fabricantes de aparelhos. Tecnicamente, a cobrança não é pelos apps, mas pela licença para usá-los. E, certamente, esses custos serão repassados aos compradores de seus produtos.

Usuário de Android agora pagam para usar apps do Google.

Multa da União Europeia foi o maior golpe já sofrido pelo Google.

Cobrança pelas licenças

O Android tem dez anos e se firmou como o sistema operacional líder do mercado. E a multa foi eventualmente o maior golpe que já sofreu. A liderança foi o fator de persuasão do Google para forçar a distribuição do aplicativo de busca e do Chrome nos smartphones de vários fabricantes. Em troca, o Google fornecia a esses fabricantes uma licença para acesso à Play Store, sem custo. De acordo com a Comissão Europeia, a prática negou aos rivais a chance de inovar e competir nos méritos de seus produtos.

Assim, agora surge a cobrança de licenças. O Android em si, quando tratado unicamente como sistema operacional, tem código aberto. Dessa forma, seu custo é sempre zero. Entretanto, apenas se não tiver nenhum app do Google na pré-instalação. Para tornar o Android minimamente prático para o usuário, é indispensável incluir aplicativos e serviços, como navegador e buscador. Contudo essas ferramentas não precisam ser — e comumente não são — gratuitas ou de código aberto. Fica necessário, então, licenciá-las.

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Os modelos originais de negócio

O Google tinha, até a multa recorde, dois modelos básicos de contratação do Android para as empresas fabricantes. No primeiro, o fabricante que quisesse inserir um aplicativo do Google em seu aparelho, como o buscador, poderia fazê-lo se instalasse todos os demais (Chrome, Maps, Agenda, etc.). De tal forma que, em troca, não havia cobrança no licenciamento.

Usuário de Android agora pagam para usar apps do Google.

Google Maps é um dos apps pré-instalados na maioria dos celulares com Android.

No segundo modelo, o Google permitia instalação de aplicativos concorrentes, mas exigia que os seus ficassem em destaque. Se um fabricante quisesse distribuir o app do Bing, por exemplo, teria que posicionar o buscador do Google na tela inicial do Android. Enfim, essa forma de agir foi considerada concorrência desleal pela Comissão Europeia.

Custos de até R$ 150 na Europa

Agora tudo terá que ser pago pelos fabricantes. Entretanto, surge a pergunta: quanto vai custar para o consumidor final? O custo irá variar de acordo com regiões e países da União Europeia. O Google vai cobrar pelo buscador e pelo Chrome, cedendo os seus demais apps para Android aos fabricantes.

O modelo para Alemanha, Holanda e Noruega já está definido e o preço muda de acordo com a qualidade do aparelho. Então, o que resume essa qualidade? Será a resolução da tela em densidade de pixels. Veja exemplos:

  • Smartphones com mais de 500 pixels por polegada (ppi) pagarão US$ 40 (cerca de R$ 150). Esse é o caso de aparelhos top de linha como o Samsung Galaxy S8, que tem 567 ppis.
  • Smartphones intermediários de boa qualidade, com resolução entre 400 e 500 ppis, pagarão US$ 20 (ou R$ 75). É o caso do Samsung Galaxy A8 (441 ppis) e aparelhos na sua faixa.
  • Todos os celulares com menos de 400 ppis pagarão US$ 10 (R$ 37,50). E essa é a grande maioria, pois inclui os intermediários e os de entrada, como os Samsung Galaxy J2 (241 ppis) ou J5 Prime (294 ppis).

Em alguns outros países os valores deverão ser bem menores, chegando a um mínimo de US$ 2,50 por aparelho, um pouco menos que R$ 10.

As receitas do Android

O interessante é que a Comissão Europeia não determinou que o Google cobrasse pelos seus apps para Android. Ela apenas determinou que a empresa fosse mais flexível nas exigências referentes à distribuição dos seus apps. Contudo, como o buscador e o Chrome são principais fontes de receita da companhia em dispositivos móveis, a cobrança é um meio de compensar as eventuais ausências desses aplicativos.

Usuário de Android agora pagam para usar apps do Google.

O Chrome é um dos maiores geradores de receita do Google em celulares.

Eventualmente, outra forma de compensação é a não divisão de receitas. No caso de um fabricante que opte por não instalar o Chrome de fábrica ou não colocá-lo em destaque na tela inicial, ele não receberá repasses provenientes da exibição de anúncios no navegador. E mesmo se depois, o Chrome for instalado pelo usuário.

Poderão surgir novas propostas do Google aos fabricantes, mas sempre com uma cláusula pétrea. É que, de acordo com a decisão da Comissão Europeia, não deverá existir nenhuma restrição à pré-instalação de apps concorrentes, como Bing e Edge.

Para nós, resta esperar para ver se essa nova prática comercial chegará ao Brasil. E, afinal, que impacto terá em nossos bolsos. Aqui no Vivo Tech estamos atentos e manteremos você informado. Entretanto, enquanto ficamos no aguardo, que tal aprender tudo sobre a nova versão do Android? Clique aqui e veja a matéria que fizemos.

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