Alphabet vai levar a internet a qualquer lugar com balões!

Alphabet é a empresa mãe do Google e trabalha de forma inovadora para disponibilizar redes de internet a todo o planeta.

09/01/2019 às 9:00

Talvez você nunca tenha ouvido falar da Alphabet. É uma empresa discreta. Porém, muito poderosa. Ela é o guarda-chuvas que abriga o Google e todas suas subsidiárias. Como a Waymo, que desenvolve o carro autônomo de maior sucesso até agora e que está em teste como táxi nos EUA.

A Alphabet tem, assim, tanto capital que pode investir parcelas dele em projetos bem diferentes. Como usar balões de gás para levar a internet a pontos de difícil acesso por toda a Terra.

Alphabet vai levar a internet a qualquer lugar com balões!

Alphabet, a empresa mãe do Google, investe em balões de gás para levar internet a todo o planeta.

Entretanto, fica a pergunta: por quê? Há uma explicação: além de ser buscador que quase todos usam, o Google é a maior plataforma digital de anúncios do mundo. E, por isso, necessita sempre de novos clientes.

O nome do projeto que usa balões é Loon. Ele nasceu em 2011 dentro do então chamado Projeto X, o laboratório da Alphabet dedicado a pesquisar tecnologias inovadoras. Dessa forma, nesse mesmo laboratório nasceram a Waymo e o Google Brain, a Inteligência Artificial que hoje impulsiona as buscas do Google.

O desafio da Alphabet

A questão básica era: poderiam balões de gás receber dados da Terra e transmiti-los de volta? Havia um precedente já comprovado. O dos balões meteorológicos, que são gigantescos, voam muito alto e são usados para transmitir dados sobre o clima.

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Um balão meteorológico típico.

Em uma instalação perto de Mountain View, na Califórnia, pesquisadores começaram o trabalho. Prenderam com fita adesiva transmissores e velhos resfriadores de computador a balões de borracha do tipo usado em festas.

Com o tempo, conseguiram fazer os balões voarem mesmo com mais peso, e isso definiu a meta da Alphabet no projeto Loon. O objetivo é conectar o inconectável aqui na Terra por meio de balões gigantes que flutuarão lentamente ao redor do mundo, comunicando-se uns com os outros e com o planeta abaixo.

Um direito humano

As Nações Unidas declarou, em 2011, a internet como um direito humano. Contudo, ainda agora 3,4 bilhões de pessoas não têm acesso a ela. São muitas as nações sem recursos para construir torres e levar cabos com a internet para fora de suas maiores cidades. Portanto, o crescimento do uso da internet está praticamente estagnado. Então, a Alphabet com seu projeto Loon achou uma forma criativa de resolver o problema.

E dessa maneira, apesar do imenso potencial de receitas, o trabalho tem também um fundo humanitário. Foi o Loon que levou internet para Porto Rico depois que o furacão Maria destruiu completamente a infraestrutura da ilha, em 2017. E, agora, a empresa firmou um acordo com o governo do Quênia para usar balões levando a internet até as mais distantes áreas rurais do país.

A Alphabet está trabalhando em um aparelho chamado de “lançador”. Trata-se de uma plataforma sobre rodas, equipada com guindaste, que solta um balão a cada 30 minutos.

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O lançador de balões lança um a cada 30 minutos.

Os testes estão sendo feitos em uma cidadezinha do estado norte-americano de Nevada. A perspectiva é que o modelo possa providenciar cobertura de balões para um país inteiro. Aliás, no início, o Loon só conseguia lançar um balão por semana. Sua evolução certamente foi fantástica.

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O funcionamento do balão

Em síntese, em um cesto pendurado sob o balão, são carregados os equipamentos de rádio, recepção e transmissão. Além disso, o balão possui tecnologia de navegação e telecomunicação, tudo incluído em uma caixa de isopor.

Ainda assim, de onde vem a energia? De painéis solares, desdobráveis, finos como papéis, que permitem que o balão se mantenha operacional por longos períodos.

Alphabet vai levar a internet a qualquer lugar com balões!

Os painéis solares dobráveis de um balão da Alphabet sendo montados.

Os balões se comunicam com uma estação base, equipada com conexão cabeada de alta velocidade. Os sinais seguem, então, para conectar celulares e computadores a grandes distâncias.

A ideia é formar uma rede de balões que se comunicam entre si e conectam continentes. Desse modo, podem transmitir sinais de qualquer ponto para qualquer outro ponto, desde que haja comunicação com apenas uma estação base na Terra.

Alphabet também criou algoritmo

A fim de viabilizar o projeto, a Alphabet trabalhou durante anos até conseguir construir o modelo correto do balão. E ainda para criar um algoritmo que faça as previsões corretas das correntes aéreas, fundamentais para a navegação dos balões. Assim, a ideia inicial era inundar o espaço com uma grande quantidade de balões, em uma espécie de esteira aérea.

Mas, uma descoberta recente diminuiu bastante essa necessidade. É que os balões da Loon podem ser manobrados no ar, por um sistema que os infla e desinfla de acordo com o que for preciso.

Os balões navegam no ar como submarinos nas profundezas do mar. Eles voam entre 10 e 15 quilômetros de altitude, acima das nuvens, das chuvas e das tempestades, e com fornecimento permanente de energia solar.

Em resumo, são cheios de hélio, que é inerte e não inflamável. E navegam até seus destinos usando as correntes aéreas, que vão em diferentes direções dependendo da altitude. Assim, os balões viajam alternando entre sua altitude máxima e mínima de operação – ir de um limite a outro leva duas horas. E depois que chegam a sua área de transmissão passam a voar em círculos.

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Um balão da Loon voando até sua área de transmissão.

Todo o tecido utilizado na construção dos balões é examinado no maior scanner plano do mundo. E depois que os balões voltam de voos de teste eles retornam ao scanner. A busca é por falhas e vazamentos microscópicos. Afinal, o tecido precisa ser perfeito e resistente ou o programa será comprometido.

Vida útil de 300 dias

Em Porto Rico, os balões da Alphabet forneceram internet para 250 mil pessoas. Aliás, algumas delas nunca tinham usado a internet antes do furacão Maria. Os balões ficam no ar durante meses, mas a meta da Alphabet é estender sua vida útil até 300 dias.

No Quênia o serviço deve começar a operar em 2019. Boa parte da infraestrutura já está sendo construída, enquanto balões são produzidos e testados. Não há informações sobre a velocidade da internet que será disponibilizada no Quênia. Mas, a Alphabet informa que está trabalhando para oferecer alto desempenho.

Em resumo, os balões da Loon não são desenhados ou viáveis para áreas urbanas. Entretanto, eles são muito sustentáveis em zonas rurais. O custo é mais baixo do que a construção de torres de telefonia celular. Segundo a Alphabet, não existe dinheiro no mundo para construir torres em todas as áreas de difícil acesso do mundo.

Se você está lendo esta matéria, certamente não precisa ou precisará dos balões da Alphabet. Mas, para os 3,4 bilhões que não têm acesso a qualquer rede, o avanço será incrível. Se funcionar no Quênia, literalmente o céu será o limite para a internet na Terra.

O Google pertence a Alphabet. E também faz coisas bem legais. Por isso, não deixe de ler sobre 11 coisas que você pode pedir ao Google Assistente.

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